Escrivães suspeitos trabalham normalmente
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Luciano AugustoReportagem Local 
Um dia depois de conseguir o relaxamento de sua prisão, o escrivão Otacílio Sales Grube estava trabalhando ontem à tarde no plantão da 10 Subdivisão Policial (SDP), em Londrina. Enquanto isso, outro escrivão, Rogério Mussi, também trabalhava normalmente no 3º Distrito Policial (Zona Oeste) mesmo havendo uma decisão liminar que impede que ele preste atendimento ao público. Os dois respondem à acusação de concussão (extorsão praticada por funcionário público).
Grube trabalhava como escrivão em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) até ser preso em dezembro do ano passado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), junto com o então delegado do município, José Antônio Zuba de Oliva, mais o escrivão Sebastião Aparecido de Almeida, e outros três policiais rodoviários. Eles foram acusados de pedirem um veículo de um casal como pagamento para livrá-los de uma prisão em flagrante. Todos respondem ao processo em liberdade.
Já Mussi, que era escrivão no 3º DP, foi preso em outubro do ano passado de posse de um cheque no valor de R$ 2,3 mil de uma mulher que respondia a um processo por estelionato. Segundo a denúncia da PIC, ele teria exigido o valor para ''segurar'' o andamento do caso. Alguns dias depois, ele conseguiu habeas corpus e saiu da prisão.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, afirmou desconhecer que Grube estivesse trabalhando no atendimento do plantão, mas garantiu que iria apurar a situação. Segundo André, ele estaria à disposição do Grupo Auxiliar de Recursos Humanos (GARH), em Curitiba, órgão que define o destino de policiais civis que são afastados de suas funções originais.
Com relação a Mussi, o delegado-chefe disse que sua situação ''fugiu à regra geral'', uma vez que ele não estaria à disposição do GARH. Ele disse que solicitou, ontem, ao Departamento de Polícia Civil que Zuba e os dois escrivães sejam lotados em unidades da área de abrangência da 10 SDP.
O promotor da PIC, Cláudio Esteves, apontou que contra Mussi existe uma decisão liminar da 3º Vara Criminal de Londrina, onde corre uma ação por improbidade administrativa, que proíbe o policial de prestar atendimento ao público. O promotor assegurou que a PIC irá apurar a situação.


