A Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) confirmou na tarde da última sexta-feira a retirada ilegal de árvore em frente à obra de um escritório de advocacia na esquina da Rua Espírito Santo com Avenida São Paulo, no Centro. Um exemplar de pata-de-vaca foi retirado sem autorização e os responsáveis pelo imóvel serão autuados pela infração.
Segundo o secretário Gerson da Silva, os proprietários do escritório serão obrigados a fazer o replantio no local. O município também poderá determinar que seja feita a compensação ambiental do dano - com plantio de árvores em outras áreas da cidade ou doação de mudas - e até a aplicação de multa.
Na mesma obra foi erradicada uma sibipiruna pelos técnicos da Sema. De acordo com o secretário, a árvore estava condenada. Há cerca de dois meses, a Folha foi procurada por uma moradora da região, que dizia ter visto pessoas indo até o local à noite para injetar uma substância no tronco da sibipiruna.
O secretário de meio ambiente disse não poder avaliar se a causa da morte do exemplar em questão foi envenenamento, mas confirmou que esta prática se tornou comum em Londrina. ''As pessoas fazem o pedido de erradicação e, quando ele é negado, utilizam-se destas substâncias para comprometer a árvore. Costumo definir estas pessoas como assassinos de árvores.'' Silva não soube dizer se, no caso da sibipiruna, foi registrado anteriormente pedido de retirada.
Um dos sócios do escritório que vai se instalar no prédio, Sidinei Cândido de Almeida, afirma que a sibipiruna só foi erradicada porque estava muito velha e podre por dentro.
A artista plástica Tatjana Molina, que morou até recentemente em prédio vizinho ao endereço da obra, criticou a retirada das árvores. Ela acha que a construção do prédio moderno no lugar de uma casa antiga que havia no local valorizou a região, mas afirma que o ''preço'' pago foi alto demais. ''Acho que é possível fazer uma grande reforma incluindo as árvores já existentes como fator de embelezamento, e não excluindo-as'', argumenta.
A promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentim, esteve no local na manhã da última quinta-feira e pôde ver os galhos da pata-de-vaca dentro de uma caçamba. Ela encaminhou ofício à Sema, questionando se os proprietários tinham autorização para a retirada das espécies. Segundo Solange, a secretaria tem 10 dias úteis para responder ao documento.
De acordo com o advogado, o projeto de paisagismo prevê o plantio no local de quatro exemplares de oiti, espécie recomendada pelo município. ''Nossa intenção é embelezar a cidade. Para nós, seria até melhor se pudéssemos manter as árvores aqui, elas não atrapalhariam o projeto'', garante.

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