Escritor se especializa nos males do barulho
Há oito anos, o barulho do Calçadão ''expulsou'' o escritor Domingos Pellegrini do Centro da cidade. Cansado de reclamar, ele mudou-se para uma chácara no Conjunto Eucaliptos (Zona Leste), e tornou-se um estudioso do assunto. ''Está cientificamente comprovado que os sons excessivamente altos causam não apenas a perda do sossego, mas também doenças como a cardiopatia, hipertensão e estresse'', observa.
Os efeitos dos grandes ruídos no organismo, segundo Pellegrini, têm origem na pré-história: ''No passado, o barulho era associado ao perigo, como o ataque de bichos, por isso o homem desenvolveu um sistema de defesa que, nestas ocasiões, produz uma descarga de endorfina e coloca o cérebro em alerta.'' O escritor lembra ainda de outras reações registradas quando ficamos expostos a sons muito altos, como vasoconstrição, alteração na frequência cardíaca e respiratória, diminuição da saliva e enrijecimento muscular.
Estas reações, segundo Pellegrini, explicam a atração dos jovens pelos sons altíssimos. ''Estas reações no organismo fazem o jovem sentir-se 'poderoso', sem ter noção do perigo que isto representa. Como estão perdendo a audição, abusam cada vez mais do volume.''
Pellegrini propôs à Câmara de Vereadores uma campanha de conscientização sobre a importância de evitar o barulho. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, a campanha já foi aprovada e está em fase de orçamento e busca de parcerias.
O otorrinolaringologista Kooki Tan confirma que barulho em excesso pode ser fatal para a audição. ''A perda começa com os sons agudos e, persistindo a exposição, será prejudicada também a audição de sons graves. O processo é irreversível.'' O médico explica que os problemas começam a partir dos 80 decibéis, o que corresponde ao ruído do motor de uma motocicleta. (S. L.)





