Escritor quer punição de médicos e hospitais
O escritor Austregésilo Carrano Bueno realizou ontem um protesto em frente ao Fórum Cível, preso em uma camisa-de-força. Com cartazes e uma venda nos olhos, ele demonstrou o seu descontentamento com o resultado de uma sentença que move contra médicos e hospitais psiquiátricos, onde, segundo ele, foi internado erroneamente por seis anos. O escritor teve uma ação indeferida, no fim do mês passado, pelo juiz Guilherme Luiz Gomes, da 10ª Vara Cível.
Quero ser reparado por erros, que estão me prejudicando até hoje, afirma Bueno. O escritor afirma que foi internado porque foi pego fumando um cigarro de maconha. Ele processa a Federação Espírita do Paraná, Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, Hospital de Neuro-Psiquiatria do Paraná, além dos médicos que o trataram.
No dia 28 do mês passado, o juiz Guilherme Gomes arquivou o processo porque a ação teria prescrito. No entender do juiz, o tempo de prescrição dessa ação seria de 20 anos, a contar da data de emancipação de Bueno.Agora, ele promete recorrer da decisão no Tribunal de Justiça.
O escritor entende que o juiz foi técnico, não entendendo o teor da ação. Em nenhum momento, ele levou em conta a argumentação de minha advogada, afirma. Para Bueno, era preciso que o juiz solicitasse laudos médicos, diferentes do que foram apresentados pelos hospitais. Fiquei internado por anos, recebendo cargas de eletrochoque de até 460 volts, afirma. Além disso, ele conta que era diariamente sedado. Tudo isso, provocou em mim danos, que até hoje causam diversos efeitos colaterais, como pesadelos, diz.
O protesto de Bueno deve ser retomado no dia 24. Na semana que vem, ele viajará para participar de um debate na Universidade Estadual de São Paulo (USP), onde vai defender o envio de cartas ao juiz Guilherme Gomes, pedindo a revisão da decisão. Depois retorna a Curitiba, para ficar por sete dias preso na camisa-de-força,em frente ao Fórum.





