Escritor protesta contra o valor do salário mínimo
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Anna Camanducaia 
Marcelo AlmeidaBarth percorreu 25 quilômetros com cruz de 10 quilos nos ombrosO escritor Henrique José Barth, de 42 anos, aproveitou o Dia do Trabalho em Curitiba para protestar contra o ajuste do salário mínimo para R$ 130,00. Barth atravessou ontem a cidade com uma cruz de cerca de dez quilos no ombro, uma faixa na cabeça com a frase O que é isso, presidente? e uma camiseta que alertava: Mais vale um cachorro candidato do que um candidato cachorro.
Barth saiu do Terminal do Santa Cândida, às 9h de ontem, e deveria chegar ao Terminal do Pinheirinho por volta das 16h - o trajeto tem cerca de 25 quilômetros. Este é o segundo ano que o escritor faz manifestação no primeiro dia de maio. No ano passado, Barth fez greve de fome durante três dias, na Boca Maldita, para mostrar que o decreto que reajustava o salário para R$ 120,00 era inconstitucional.
Neste ano, Barth retomou o assunto. Este novo reajuste é um atentado contra os Direitos Humanos e a Declaração Universal dos Direitos do Homem, diz. Não dá nem para suprir a alimentação, quanto mais ter uma vida digna.
Segundo Barth, o protesto terá continuidade. Esta é a primeira ação do Movimento Nacional de Conscientização da Sociedade, que promoverá reuniões em escolas, empresas e praças públicas. Quero mostrar que as pessoas não devem validar seu voto até que os poderes constituídos reassumam seu compromisso com a sociedade.
Na quinta-feira, Barth enviou uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Apresentei a ele o artigo 7, inciso IV, da Constituição, que fala sobre a justa remuneração. Quero que ele saiba que está totalmente alienado da realidade, dispara.


