O escritor Austregésilo Carrano Bueno promete colocar uma camisa-de-força e se prender em frente ao Tribunal de Justiça, em Curitiba, na próxima segunda-feira, em protesto a uma decisão do juiz Guilherme Luiz Gomes, da 10ª Vara Cível. Na última quinta-feira, o juiz indeferiu ação do escritor, que acusa hospitais psiquiátricos e médicos de terem cometido erro ao interná-lo por quase seis anos. Bueno passou por sessões de eletrochoques, sendo tratado por sedativos.
O escritor afirma que foi internado erroneamente em hospitais psiquiátricos. Por isso, tentou obter uma ação indenizatória da Federação Espírita do Paraná, Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, Hospital de Neuro-Psiquiatria do Paraná, além dos médicos que o trataram. ‘‘Por causa de um cigarro de maconha, recebi os mais brutais e primitivos tratamentos psiquiátricos’’, diz.
Na última quarta-feira, o juiz Guilherme Gomes decidiu arquivar o processo porque a ação, movida em maio do ano passado, teria prescrito. Bueno promete recorrer da decisão no Tribunal de Justiça. No entender do juiz, o tempo de prescrição dessa ação seria de 20 anos, a contar da data de emancipação de Bueno, ocorrida quando tinha 19 anos e estava internado em um hospital psiquiátrico.
Com isso, o prazo que ele poderia ter entrado com um recurso se esgotou em 1993. ‘‘Mas naquela época eu não era considerado capaz’’, argumenta o escritor. ‘‘A minha internação não foi um ato comum, mas se assemelha a um processo de tortura, que na constituição é crime imprescritível’’, afirma.
Austregésilo Bueno conta que foi internado quando tinha 16 anos, depois de ser supreendido fumando um ‘‘baseado’’ (cigarro de maconha). Na ocasião, o médico que o atendeu decidiu pelo internamento numa instituição psiquiátrica. ‘‘Fiquei internado por anos, recebendo cargas de eletrochoque de até 460 volts’’, afirma. Além disso, ele conta que era diariamente sedado.
Por causa de sua experiência nas instituições psiquiátricas, ele quer ser ressarcido por danos físicos, morais e psicológicos. ‘‘O juiz não pediu sequer um laudo médico para verificar se eu estava bem. Mesmo assim me considerou uma pessoa capaz’’, diz, acrescentando que tem pesadelos até hoje das sessões de eletrochoque. Atualmente, o escritor defende a adoção de internamentos apenas nos casos de surto. Nas situações menos críticas, ele aconselha o tratamento em hospital-dia, onde o paciente fica até a noite, retornando para o convívio com a família.
Austregésilo Bueno pretende adaptar o livro ‘‘Cantos Malditos’’, que relata a sua experiência, para o cinema. Além disso, quer sensibilizar Curitiba a adotar o sistema de hospital-dia.Mauro FrassonAustregésilo Carrano acusa hospitais psiquiátricos de erro médicoIsrael Reinstein

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