Escritor fez 'manual' de preservação da floresta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de janeiro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Foram 14 anos de pesquisas, meses vivendo no meio da floresta. Para o médico veterinário, gestor ambiental e escritor, Gilnei Fróes, os riscos e o empenho foram por uma causa válida: produzir um manual de informações para quem luta pela preservação da Floresta Amazônica. Para o autor do livro, a Amazônia é um ''santuário e um cofre de onde podem sair bilhões de dólares'' que merece atenção dos brasileiros.
''Há muita coisa na Amazônia que ainda não foi descoberta. O livro aborda a Amazônia de acordo com as etnias que passaram por lá ao longo dos tempos e que tentaram pegar alguma coisa. A pesquisa é um alerta para as pessoas que querem, de alguma maneira, ajudar na preservação'', diz.
O livro foi editado pelo Instituto Bering Fróes Eco Global, entidade que articula projetos com a missão de alertar a sociedade sobre a importância da preservação das espécies, florestas, água e solos. Lançado em 2000 em tiragem restrita, ele volta a ser publicado no mês que vem.
Para realizar as pesquisas, o autor precisou conviver com situações perigosas e inusitadas. ''Eu falava que estava por lá em busca de terras e cheguei a conversar com um matador que me disse que, para ele, não há diferença entre matar um homem ou um jacaré'', conta.
Há cerca de dez anos, um forte movimento ambiental realizado em Porto Seguro (RJ), encabeçado por Fróes, conseguiu articular leis que hoje proíbem o lançamento de poluentes nos rios da região. ''Já temos projetos em 22 países onde se fala a língua portuguesa mas queremos ampliar as ações''.
Para Fróes, é necessário uma efetiva mudança de consciência das pessoas quanto às questões ligadas ao meio ambiente e não somente práticas como economizar água ou diminuir o consumo de energia. ''Esse é um problema das leis, também. Na Espanha você não paga taxa mínima de consumo, mas se alguém é visto lavando a calçada com água, é preso. A sociedade brasileira não está percebendo o descaso e a falta de comprometimento com a natureza''.


