Escritor cobra o fim da internação psiquiátrica
Escritor cobra o fim da internação psiquiátrica Zeca Corrêa Leite De Curitiba O escritor e publicitário Austregésilo Carrano Bueno não sossega na sua luta contra os hospitais psiquiátricos que mantém sistemas de tratamento beirando o medievalismo. Ele quer que a Secretaria da Saúde do Estado coloque em prática um decreto-lei assinado pelo governador Jaime Lerner em 1995, mas que ainda não foi efetivada a mudança do sistema de internação convencional por trabalhos substitutivos. Essa modalidade de tratamento existe há dez anos em São Paulo e conta com apoio da Organização Mundial de Saúde. Neste processo o paciente é internado quando entra em crise, mas assim que o quadro ameniza volta todas as noites para casa, e retorna ao tratamento no dia seguinte. Há estímulos para a convivência social, que funcionam em parques, praças e centros culturais. Essa dinâmica é muito diversa do dia-a-dia das instituições psiquiátricas tradicionais, segundo Carrano. Carrano transformou-se num símbolo da intolerância ao que ocorre nos hospitais psiquiátricos desde que lançou Canto dos Malditos, onde relata os horrores vividos nos três anos de confinamento em manicômios. Seu pai encontrou um punhado de maconha numa jaqueta, levou-o aos médicos e o resto da história foi contada exaustivamente através de entrevistas e no livro. Canto dos Malditos teve a primeira edição cassada em Curitiba pela Justiça, devido ao processo movido por um dos profissionais envolvidos. Um filme baseado na obra, com o título Bicho de Sete Cabeças, começou a ser rodado nesta semana em São Paulo, pela diretora Laiz Bodanzky. O ator Rodrigo Santoro estará fazendo o papel de Carrano nas telas. Vou continuar cobrando do governo do Paraná para que se cumpra a lei que ainda não saiu do papel.





