Escritor acusa hospital por dano psíquico
Escritor acusa hospital por dano psíquico
Austregésilo Bueno foi internado várias vezes como viciado em drogas, mas acusa médicos e hospitais de terem errado no diagnóstico
O escritor pede
indenização de
R$ 10 milhões por
erro de tratamento
Guilherme Pupo
Marcelo Almeida
DramaAustregésilo Carrano Bueno já havia relatado em livro sua experiência de três anos em manicômios, onde recebeu eletrochoquesO escritor curitibano Austregésilo Carrano Bueno, 41 anos, entrou nesta terça-feira com uma ação indenizatória de R$ 10 milhões contra o Hospital Psiquiátrico Bom Retiro (ligado à Federação Espírita do Paraná), de Curitiba; Hospital de Neuropsiquiatria do Paraná, de Piraquara; e contra os médicos psiquiatras Alô Ticoulat Guimarães e Alexandre Sech.
Austregésilo Carrano, autor do livro Canto dos Malditos - Três Anos Confinado em Manicômios, afirma ter sofrido perdas e danos físicos, psíquicos e morais com as internações e tratamentos nos hospitais psiquiátricos.
Ele foi internado várias vezes entre os 17 e os 20 anos de idade, para tratamento como viciado em drogas. O pai de Carrano encontrou maconha no bolso de uma jaqueta e resolveu encaminhar o filho para tratamento. Nunca fui viciado, era usuário de maconha apenas nos fins de semana. Quando meu pai me internou, ele desconhecia o tratamento utilizado nesses manicômios, comenta o escritor.
A principal justificativa da ação indenizatória é o erro de diagnóstico e de tratamento. Segundo o escritor, os médicos o classificaram como esquizofrênico tipo paranóide e psicótico. Carrano disse que recebeu cerca de 20 aplicações de eletrochoque no período em que esteve internado, além de ter sido torturado (amarrado em camas ou forçado a vestir camisas-de-força). Ele afirma também que foi sedado com um verdadeiro arsenal químico de medicamentos, com cerca de três injeções intravenosas e de 20 a 25 compridos por dia.
Sequelas - Entre as sequelas do tratamento, ele afirma ter ficado com traumatismo craniano (uma pequena fissura na base do crânio, em função dos eletrochoques), problemas de coluna e consequências psicológicas e sociais - como a discriminação de amigos e familiares e dificuldades para conseguir emprego.
Carrano também disse estar sujeito a adquirir o Mal de Alzheimer (doença degenerativa). Segundo um estudo realizado na Universidade de São Paulo, 80% dos pacientes que recebem tratamento de eletrochoque correm o risco de ter a doença, observa.
A ação indenizatória contra os hospitais e médicos foi movida na 10ª Vara Cível e encaminhada ao juiz Guilherme Luiz Gomes. A advogada de Carrano, Vera Lúcia Vassouras, espera que a sentença saia até o final do ano.
Alternativa - Austregésilo Carrano também defende o fechamento dos manicômios e hospitais psiquiátricos no País. De acordo com projeto elaborado por movimentos populares, ex-pacientes, voluntários e familiares, a alternativa aos manicômios seriam os hospitais-dia (onde o paciente volta para casa à noite), hospitais gerais (com alas de enfermarias psiquiátricas) e centros de convivência (em parques e praças, com equipes de psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais).
O livro de Carrano, Canto dos Malditos (lançado em 1990), já foi adaptado para o cinema pelo escritor Marcelo Rubens Paiva e aguarda patrocínio.





