Escrevendo como Pero Vaz de Caminha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Olhar para o Brasil como Pero Vaz de Caminha olhou há cinco séculos. Essa foi a proposta feita pela professora de Língua Portuguesa Leslie Felismino Barbosa para três turmas do 1º ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Durante o bimestre, os estudantes pesquisaram e elaboraram uma carta, como se fosse a Carta do Achamento do Brasil. Nela, eles puderam soltar a imaginação e descrever as impressões que tiveram do lugar visitado. ''O projeto Versão Moderna da Carta do Achamento é um trabalho para desenvolver a escrita e a leitura com base na integração de conteúdos da literatura brasileira, além de despertar um olhar crítico dos alunos em relação ao Brasil'', comenta a professora.
Ontem de manhã, os 105 alunos participantes estiveram reunidos na Biblioteca do colégio para lançar os três livros, um de cada turma, e trocar autógrafos entre eles. ''A proposta é boa porque aproxima os alunos com o conteúdo, rompendo as barreiras de que a literatura é algo difícil. Além disso, ao escrever, eles acabam refletindo sobre as belezas naturais e os aspectos sociais, culturais e políticos do país'', explica.
O aluno Gabriel Begotto, de 14 anos, se imaginou funcionário de uma indústria nuclear da Rússia, que estava em visita a Porto Alegre para encontrar uma peça de reator. Na carta, ele descreve como foi bem recepcionado pelos brasileiros, conta das compras de produtos típicos gaúchos e termina a carta deixando uma impressão bem otimista, inclusive sobre a situação financeira do país diante da crise mundial. ''Procurei ver a parte boa do Brasil, pois acho que essa é a visão da maioria dos visitantes estrangeiros. Mostrei essa carta para minha família e eles acharam muito interessante. Foi bem legal'', comenta.
Já a estudante Ana Cláudia Schurmann Paulo, de 15 anos, escolheu viajar para Nova York e imaginou que a família morasse no Rio de Janeiro. ''São lugares que tenho vontade de conhecer. Resolvi falar de coisas legais e bonitas porque as partes ruins do nosso país, como a violência, todo mundo já conhece'', diz ela, ao afirmar que com essa proposta, ficou bem mais fácil assimilar o conteúdo.
A cada carta, surgem histórias curiosas. A maioria delas é escrita aos familiares, como pais e mães. Alguns escreveram cartas de amor, cheias de saudosismo e outros descreveram com detalhes problemas cotidianos enfrentados nos aeroportos, como atrasos e lotações.
Os livros, impressos pela gráfica da UEL, já foram apresentados em evento de Literatura Infanto-Juvenil na cidade de Cornélio Procópio e no Simpósio de Leitura da UEL - Selesigno.


