Escoteiros fazem campanha para arrecadar cobertores
Vivian de Albuquerque
Por causa das exigências do controle de infecção hospitalar e das frequentes lavagens, o cobertor -que pode durar anos numa residência- resiste poucas semanas numa enfermaria. Problema que tem levado muitos dos hospitais de Curitiba a apelar para campanhas de doação. Um deles é o Hospital Universitário Evangélico, que tem uma rotatividade de 1,5 mil cobertores por dia só na sua lavanderia.
É o problema mais sério que a gente enfrenta durante todo o inverno, comenta a funcionária do voluntariado do hospital, Cibele Alencar. Às vezes o paciente vomita ou suja o cobertor e tem que esperar ele ser lavado para tê-lo de volta. Segundo ela, o certo seria que o hospital tivesse a disponibilidade para pelo menos três trocas diárias de cobertores para cada paciente. Prática que é cada dia mais difícil.
Todos os anos nós fazemos as campanhas para arrecadar não só cobertores, mas qualquer tipo de agasalho, explica Cibele. E mesmo assim eles não são suficientes. O que conseguimos com as doações é apenas diminuir os custos do próprio hospital.
O processo para higienização dos cobertores no Evangélico começa com a imersão dele numa pasta de produtos químicos, passa por uma lavagem sob alta temperatura e termina com uma secagem especial que inclui a aplicação de cloro, alvejantes e um neutralizador de resíduos alcalinos.
Aqueles que furam, nós conseguimos consertar com as costureiras do hospital, explica Cibele. Os que se rasgam são cortados em pedaços menores para uso na pediatria. Mas após seis meses de uso, eles já estão imprestáveis, conclui.
Solidariedade - Um dos grupos envolvidos na campanha de doação do Evangélico é o dos Escoteiros de Campo Comprido que, com a Campanha Calor Humano 1999, pretende arrecadar dois mil cobertores para serem entregues no próximo dia 3 de julho. Mas também participam entidades como o Rotary de Curitiba e a Igreja Batista. O recolhimento das doações pelos escoteiros está sendo feito com agendamento pelo telefone (041) 272-2132. Mas a comunidade também pode levar os cobertores diretamente ao hospital.
Sem o mesmo problema, graças apenas a uma doação feita ainda no ano passado pelo Banco HSBC Bamerindus, o Hospital Cajuru é outro dos que também teriam dificuldades caso não existissem as campanhas de solidariedade. Ao todo, são utilizados diariamente, nos quase 520 leitos, de 800 a mil cobertores.





