Arquivo FolhaPrédio da Ferragens Hauer é alvo de duas ações judiciaisDeve ser concluída até o final deste mês, a obra de escoramento do prédio que abrigava a loja de Ferragens Hauer, no centro de Curitiba, que vinha oferecendo risco de desabamento desde o incêndio ocorrido no dia 28 de maio. Para evitar acidentes, a Prefeitura isolou a área com tapumes e notificou os proprietários para que fizessem o escoramento. Como eles não tomaram providência, a prefeitura aplicou multas, vai realizar o reforço e sustentação das paredes e cobrar judicialmente o valor da obra.
O imóvel está sendo escorado nas partes interna e externa com estruturas de madeira. A Secretaria Municipal de Obras também fará a vedação das janelas e portas do imóvel para evitar a entrada de pessoas no local. ‘‘O escoramento será suficiente para garantir estabilidade e segurança e evitar riscos à população’’, diz o diretor do Departamento de Edificações da secretaria, Aron Krajden.
O prédio que ocupava a Ferragens Hauer também é alvo de duas ações judiciais - uma entre membros da família Hauer por sua posse, e outra movida pela Procuradoria Geral do Município, que pede o cumprimento de acordo firmado com a Prefeitura há 11 anos visando a restauração do imóvel. Inaugurado em 1898, o imóvel era considerado Unidade de Interesse de Preservação por ser um dos mais significativos exemplares da arquitetura de influência alemã em Curitiba.
Quando ocorreu o incêndio, o imóvel abrigava apenas uma loja de produtos de R$ 1,99. A loja de ferragens havia sido transferida semanas antes para um local próximo. Um laudo do Instituto de Criminalística apontou que o incêndio foi criminoso, mas a investigação ainda não foi concluída pela polícia. Localizado no setor histórico, o prédio estava protegido pela legislação municipal que criou o setor em 1971 e, por seu valor arquitetônico, deveria ter passado por uma restauração no final da década de 80.
As obras de restauro não foram realizadas e, em 1992, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação contra os irmãos Hauer, exigindo o cumprimento do acordo. O processo está na 2ª Vara da Fazenda Pública aguardando julgamento desde setembro de 1996.

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