Escondido, Miranda Leal cria nova Igreja
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
A assessoria jurídica da Igreja Só o Senhor é Deus entrou com quatro pedidos contra a abertura de uma igreja do ex-presidente da congregação, Miranda Leal, em Maringá. O ex-presidente e missionário vem anunciando a inauguração da nova igreja, com a mesma denominação da Só o Senhor é Deus, para o próximo domingo em um prédio no centro da cidade. Em Londrina, Miranda Leal abriu um templo no dia 12 agosto.
Protagonista do anúncio sobre o arrebatamento (volta de Jesus Cristo) em 1999, o ex-presidente da Só o Senhor é Deus é acusado na Justiça pela atual diretoria da Igreja de ter desviado mais de R$ 6 milhões nos últimos anos. No final do ano passado, Miranda Leal renunciou à presidência da Igreja e fugiu de Maringá. A Só o Senhor é Deus tem cerca de um milhão de fiéis no Brasil e em diversos países da América Latina, com 1.600 templos. A sede em formato de arca fica em Maringá.
Desde que começou a responder por uma série de ações civis e criminais, o endereço de Miranda Leal passou a ser considerado incerto e não sabido. Ele mantém programas diários em cinco rádios locais, mas nunca informa de onde está falando, apesar de dar dicas de que estaria próximo de Maringá. Para os diretores da Só o Senhor é Deus, Miranda Leal desafia abertamente a Justiça.
Os pedidos contra a abertura da Igreja foram protocolados na prefeitura, na 9ª Subdivisão Policial de Maringá, na 4ª Vara Criminal e na Justiça Federal. A assesoria jurídica informou que tenta impedir a abertura da nova Igreja porque as ações e queixas-crime ainda estão em andamento. Até agora a Igreja não recebeu nenhuma resposta oficial dos órgãos requeridos.
Mesmo sem grandes vitórias judiciais, os diretores da Só o Senhor é Deus acreditam que dia a dia o cerco contra Miranda Leal está se fechando. A assessoria jurídica reclama que mesmo sem endereço fixo e com duas condenações não conseguiu o decreto da prisão preventiva do ex-presidente e missionário.
A diretoria aposta agora na Justiça Federal, onde Miranda Leal responde ações por sonegação fiscal e crime contra o sistema financeiro. Dois bancos são acusados de facilitarem o desvio de dinheiro. Além disso, a Receita Federal iniciou uma devassa dos últimos cinco anos e vai obrigar Miranda Leal a justificar os pagamentos feitos com cheques da Igreja. Autuações da Receita Federal podem significar o pagamento de multas ou prisão.


