Escoliose atinge mais adolescentes
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Caracterizada como um desvio tridimensional da coluna vertebral e ainda sem causa específica, a escoliose é uma doença mais comum do que se imagina. Mas nem por isso deve ser ignorada. Como qualquer outra doença, quando não diagnosticada e tratada, pode trazer vários prejuízos para o paciente.
O ortopedista e traumatologista da coluna vertebral, Alexandre Jaccard, de Londrina, explica que para entender como se manifesta a doença é preciso considerar que a coluna vertebral deve ser sempre 'reta', quando vista por trás. Caso seja observado qualquer desvio para um dos três planos, não somente para os lados, mas também para frente/trás e em volta de seu próprio eixo, é preciso ficar alerta.
''Quando a pessoa tem escoliose, ao se inclinar para frente, é possível verificar uma protuberância para um dos lados. Neste caso, o ideal é procurar um ortopedista que, por meio de radiografias, irá confirmar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento'', explica o especialista, complementando que o médico poderá indicar desde o tratamento fisioterápico, com sessões de Reeducação Postural Global (RPG); ortopédico, com utilização de coletes ou cirúrgico, dependendo da gravidade.
Estirão
De acordo com Jaccard, a escoliose atinge, em sua maioria, adolescentes, que a partir dos 10 anos entram na conhecida fase do 'estirão'. Mas, apesar de estar relacionada ao crescimento e desenvolvimento de ossos e músculos, o ortopedista destaca que a doença ainda não tem uma causa específica. ''Alguns especialistas até relacionam o desvio a fatores genéticos'', explica o médico, destacando que os eles convergem em direção a uma hereditariedade multifatorial, podendo associar retardo de maturação do sistema de equilibração e problemas metabólicos.
Segundo o traumatologista, a escoliose também não apresenta sintomas, muito menos dor. Por isso, enfatiza, é sempre importante a observação criteriosa de pais e professores de educação física quanto a qualquer assimetria na altura dos ombros, na cintura, nos quadris e até uma deformidade nas costas. ''Só determinados tipos de escoliose geram dor, mas a mais comum, que é a escoliose idiopática (sem causa) do adolescente não gera dor. Por isso, eu acredito que pelo menos os professores de educação física deveriam ser treinados para identificar esses casos'', explica.
Evolução
O traumatologia complementa que o desenvolvimento da patologia não tem relação o estilo de vida atual e que há não dicas específicas de prevenção, embora ele reconheça que a prática de atividades físicas possam ser sempre indicadas como terapias coadjuvantes.
Embora a maioria dos casos de escoliose não evoluam, especialistas confirmam que cerca de 25% dos casos tem chances de evoluir. E para Jaccard, quanto maior o desvio maior a chance da pessoa ter um desgaste das articulações da coluna, descompensação do tronco e deformidade da caixa toráxica. Consequentemente, isso pode acabar comprometendo as funções dos pulmões e do coração, gerando falta de ar e dor no peito.


