Maigue Gueths
De Curitiba
Quando chega o segundo semestre do ano, é comum vermos as salas de aula dos cursos preparatórios para vestibular lotadas e as cabeças dos estudantes cheias de dúvidas sobre qual profissão escolher. Alunos de cursinhos chegam a reclamar da angústia produzida por este momento, em que, pressionados pela necessidade de fazer matrícula para os vestibulares em todo País, são obrigados a fazer uma escolha, mesmo sem ter certeza sobre que caminho seguir.
‘‘O que mais preocupa os jovens é o mercado de trabalho, a concorrência e o medo de fazer uma escolha errada, o medo de perder tempo e dinheiro em um curso e depois descobrir que não era isso o que ele queria’’, diz a professora Luciana Albanese Valore, do Centro de Psicologia Aplicada da Univeridade Federal do Paraná (UFPR), que há dois anos acompanha de perto a angústia dos estudantes através do Programa de Orientação Vocacional em Grupos da UFPR.
Segundo Luciana, a grande preocupação do programa é fazer com que o estudante aprenda a escolher. Por isso, trabalha essencialmente com o autoconhecimento, fazendo com que o jovem descubra o que ele quer ser, do que ele gosta e como se vê no futuro, além de prestar informações sobre as opções existentes. Para a psicóloga Selena Garcia Greca, especialista em Orientação Profissional, as duas maiores dificuldades dos adolescentes são a falta de informação sobre o universo profissional e a falta de conhecimento sobre si mesmo. ‘‘A escola dá uma educação distanciada do mundo do trabalho, e quando chega aos 15, 16 anos o jovem não tem noção do que seja cada profissão. Outro problema é que se você perguntar para um adolescente sua marca de tênis ou música favorita ele sabe responder, mas ele não vai saber dizer o que ele gosta de fazer, o que faz bem, o que tem dificuldade para fazer ou o que lhe dá motivação’’, diz Selena.
A orientadora educacional e profissional Márcia Kaseker lembra ainda da dificuldade de se abordar, atualmente, as características de cada profissão sem se pensar nas suas implicações no futuro.
As três orientadoras vocacionais, entretanto, são unânimes em afirmar que a primeira preocupação do jovem deve ser no sentido de fazer um curso que possibilite trabalhar naquilo que ele gosta. A preocupação em seguir uma carreira que garanta bons salários e mercado de trabalho deve ficar em segundo plano. ‘‘Se ele fizer o que gosta, a consequência será sucesso e dinheiro. Já se fizer o que não gosta, será um profissional medíocre’’, diz Márcia. Selena, entretanto, alerta para a necessidade do jovem saber, exatamente, o que ele gosta. ‘‘Não é porque ele gosta de esporte que deve fazer Educação Física ou Fisioterapia, ou porque gosta de computador que deve fazer Informática’’, diz, lembrando que os alunos devem procurar conhecer a fundo o que significa cada uma das três áreas profissionais - Exatas, Humanas e Biológicas - e buscar conhecer cada curso, suas matérias e exigências, além de acompanhar as atividades de cada profissional.

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