Érika Pelegrino
De Londrina
O bairro é um dos mais pobres de Londrina, onde há toda sorte de dificuldades: desemprego, violência doméstica, desestruturação familiar, marginalidade, problemas que afetam o dia-a-dia dos alunos da Escola Municipal Bárbara F. Vieira, localizada no Jardim União da Vitória (zona sul).
Dentro deste contexto de miséria financeira, cultural e de informação é que a escola vem tentando trabalhar no sentido de diminuir o índice de violência entre seus alunos. Sem um projeto específico sobre a violência, o tema é trabalhado integrado aos demais conteúdos do currículo escolar.
As ocorrências mais comuns são aquelas que também podem ser verificadas em outras escolas das mais diversas regiões da cidade: brigas, alunos armados com canivetes, indisciplina, faltas.
Apesar de ser uma escola municipal que atende de 1ª a 4ª série, há alunos de até 15 anos frequentando a 4ª série, por exemplo. ‘‘Não são maioria, mas existem’’, afirma a diretora Amélia Nascimento Magrinelli.
Depois de sete anos convivendo com alunos e pais da região, Amélia Magrinelli, há quatro anos na direção da escola, é simples e objetiva quando fala sobre a fórmula que aprendeu a desenvolver para manter a escola em um clima razoável de harmonia: ‘‘Falo a linguagem deles’’.
Com isto ela quer dizer que não busca se impor através do autoritarismo e muito menos se valendo das informações que tem a mais que eles. O segredo, de acordo com o Amélia Magrinelli, é simples: respeito. ‘‘Diante de uma briga, uma indisciplina qualquer eu não chego dando de dedo. Ouço primeiro o que cada um tem para dizer e depois falo’’, explica.
Fundamental na sua metodologia de combate à violência é a valorização da potencialidade de cada aluno. ‘‘Sempre digo o quanto eles são importantes’’, afirma. Os pais também são envolvidos neste processo. A cada briga, ou faltas subsequentes, eles são chamados para conversar com a direção da escola.
A diretora explica que tenta passar para os pais o mesmo que ela passa para os alunos. ‘‘Falo sobre a importância deles (os pais) dizerem para seus filhos que os amam’’, explica. Segundo ela, algumas vezes encontra resistência dos pais, mas com conversa e persistência acaba conquistando a confiança deles.
Para a diretora existem dois fatores básicos responsáveis pela agressividade dos alunos, no caso do União da Vitória: a desestruturação familiar e o desemprego. ‘‘Eles vêm de uma realidade muito dura e não valorizam a escola’’, constata. ‘‘Mas dentro das possibilidades estamos conseguindo manter um certo nível de harmonia dentro da escola’’.
Amélia Magrinelli comenta também que a grade curricular precisa ser mudada e que o ensino não pode estar atrelado há modelos de décadas atrás. ‘‘Hoje não dá para um professor chegar na sala de aula e ficar falando: senta, levanta, faça isso, faça aquilo’’, diz. ‘‘A criança tem que ter prazer em aprender’’, complementa.
Mas a diretora alerta que apenas uma mudança de conteúdo e forma de ensino não bastam para acabar com a violência nas escolas. Segundo ela é preciso também o envolvimento da família e de toda a equipe que trabalha na escola, desde a zeladora até a diretora.
A direção do Colégio Estadual Hugo Simas (região central), também aposta no trabalho em equipe e no diálogo para combater a violência. Ubiracy Lobo Moreira Silva, há um ano na direção da escola, afirma que o tema é tratado de forma preventiva. ‘‘Não temos um projeto específico, mas investimos muito na prevenção’’, afirma.
Este trabalho é desenvolvido na escola através de palestras, conversas com os pais e encontros religiosos. ‘‘Nas palestras abordamos a violência nos seus mais diversos aspectos: desde o uso de drogas até gravidez na adolescência, que também é uma forma de violência’’, explica. A escola também promove encontros religiosos. ‘‘São momentos para reflexão e oração’’, diz. Nestes encontros também são relatados depoimentos de ex-usuários de drogas e alcoólatras.Assunto é tratado de forma integrada com as disciplinas da grade escolar
César AugustoA diretora Amélia Magrinelli, junto com alunos da Escola Bárbara Vieira, tem uma receita para diminuir a violência dentro dos muros escolares: ‘‘Falo a linguagem deles’’. Colégio está localizado no Jardim União da Vitória, bairro carente da zona sul de Londrina

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