''Hoje, até as igrejas ficam fechadas com medo da violência. Por que as escolas não buscariam alternativas para aumentar a proteção das crianças e adolescentes?'' O questionamento da assistente do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Marlene de Mello, é um indicativo do clima de insegurança vivido nas instituições de ensino. Pelos meno três escolas das 73 estaduais da cidade desistiram de esperar uma solução do Poder Público para a crise de violência e tomaram atitudes concretas para tentar garantir a segurança dos alunos.
Duas semanas atrás, o Colégio Estadual Professora Ubedulha C. de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte) instalou um sistema de monitoramento através de câmeras de segurança. A medida foi tomada após o prédio ter sido alvo de arrombamento no ano passado. Com uma vigilância mais rigorosa, a consequêcia foi aumento da segurança e da disciplina entre os alunos. Uma nova câmera foi instalada no corredor principal. O sistema é ligado a um monitor na sala do diretor Adão Nunes. ''Ainda há indisciplina, mas houve uma redução na ordem de 50%'', calculou.
As outras câmeras, instaladas anteriormente, estão nos laboratórios de informática, biblioteca e outros dois pontos do prédio principal. A escola possui também sistemas de som e de alarme monitorado. ''Zeramos incidentes com quebra de vidros e reduzimos os gritos nos corredores, roubo de livros da biblioteca e bombinhas'', garantiu Nunes. Parte do equipamento de vídeo foi doada por um pai de aluno.
O assalto, que custou uma televisão, um vídeo-cassete e um computador, e um homem baleado próximo à escola foi, segundo Nunes, uma das principais motivações para aumentar a segurança do local. ''Também pretendemos construir um muro no lugar da grade para proteger mais os alunos'', revelou. O colégio atende cerca de 1.550 estudantes, o que também preocupa a direção.
A opinião dos alunos sobre a vigilância constante é divergente. Jean Hamilton Dias dos Santos, 10 anos, do 5º ano do Ensino Médio, considera o sistema bom para evitar furtos. ''É legal porque ninguém rouba canetas dos outros'', disse. ''Assim não tem bagunça'', complementou Maycon Willian Ferreira, 10, também do 5º ano. Já Camila Arruda, 13, do 7º ano, afirmou que o sistema é ''horrível porque invade a privacidade.'' ''Se derrubar alguém em uma brincadeira, já dá problema'', opinou.
Outra instituição de ensino com câmeras de vigilância é o Colégio Estadual Newton Guimarães, na Vila Brasil (Área Central). O sistema foi implantado em oito pontos estratégicos do prédio. Segundo a diretora-auxiliar Sueli Aparecida Lopes Braga, o objetivo é a ''prevenção de problemas.'' ''Não temos grandes depredações e violências aqui. Mas sempre pode haver algum conflito'', admitiu Sueli. O diretor Roberto Braz Cabrera lembrou que houve um furto de carteira de uma professora no início de 2003. ''Hoje ninguém entra sem ser anunciado'', garantiu.
Estudante do 6º ano, Mayara Yuri Utiamada, 12, disse que ''a vigilância é boa porque tem gente que extrapola.'' ''Melhorou a segurança da gente porque não tem como ladrão entrar'', comemorou. Para Jean Felipe Barioto, 12, também do 6º ano, o sistema de câmeras inibe brincadeiras violentas. ''Os alunos respeitam mais.'' Já Bruna de Souza RaÀa, 12, aluna do 7º ano, avalia que as câmeras ''deixaram a escola com mais segurança.'' O colégio atende atualmente cerca de 1.250 alunos.

mockup