Fazer com que a prática esportiva nas escolas deixe de ser voltada para o rendimento e passe a enfatizar a participação de todos, sem discriminação. Este é o objetivo da Caravana de Esporte Educacional, projeto do governo federal que percorre cidades de vários Estados para ministrar cursos aos professores de educação física de 1º e 2º graus, ensinando esta nova filosofia.
Nesta semana, a Caravana está em Londrina - pela primeira vez no Paraná -, onde estão sendo realizadas seis oficinas para 180 professores de Educação Física do Paraná e São Paulo. O coordenador-geral do esporte educacional do Ministério da Educação e Cultura, Orlando Ferraciolli Filho, explica que a proposta de mudar o conceito de educação física foi colocado em prática em 1996, quando a caravana começou a percorrer o Brasil, em parceria com instituições públicas e privadas.
‘‘Hoje, a educação física está voltada para o rendimento, não dá oportunidade para as pessoas participarem’’, observa. Ele explica que a proposta do governo federal é de fazer com que as aulas de educação física não excluam ninguém por não ter habilidade motora, ser obeso ou por outro motivo qualquer.
Paulo WolfgangFerraciolli Filho afirma que esta mudança depende basicamente dos professores, que precisam incorporar a nova proposta no dia-a-dia. ‘‘Toda mudança gera resistência. Sabemos que muitos não vão aceitar e continuarão a dar aulas da mesma maneira’’, ressalta.
Ao final de todo curso é feita uma avaliação e, segundo o coordenador do MEC, o resultado até agora é positivo. ‘‘Cerca de 80% dos professores se propõem a mudar o comportamento’’, afirma. Até agora foram realizadas oito caravanas, sempre com a participação de 180 professores em cada localidade.
Em Londrina, os cursos (jogos populares e cooperativos, dança, capoeira, modalidades coletivas e esporte para portadores de deficiência) estão sendo ministrados no colégio São Paulo (área central) e na Universidade Norte do Paraná (Unopar) - zona sul. As aulas, teóricas e práticas, tiveram início no dia 23 e prosseguem até o dia 31. O evento está sendo realizado em parceria com a Unopar. Todas as despesas são pagas pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), autarquia do Ministério.
Segundo a coordenadora local, Márcia Dib, os participantes são de instituições de ensino público e privado. ‘‘A caravana é extremamente importante porque serve de reciclagem e também para aprender a nova filosofia para o curso de Educação Física, que busca a qualidade de vida e promove a cidadania’’, observa.
Além da educação física nas escolas, a Caravana aborda também o esporte na comunidade. É o chamado Esporte Solidário, cuja proposta é de fazer parceria com alguma instituição para levar modalidades esportivas a crianças e adolescentes carentes.
A coordenadora-geral de programas especiais do Indesp, Elizabete Barbeita, explica que o governo se encarrega de capacitar os profissionais e ajuda na elaboração e execução do projeto, além de realizar o acompanhamento. A parceria é feita tanto com instituições públicas como privadas.
Elizabete Barbeita informa que o Esporte Solidário está sendo desenvolvido em 22 estados e atinge cerca de 118 mil crianças. No Paraná, a única cidade a participar do programa é Iporã (53 km a sudoeste de Umuarama), cuja parceria com a prefeitura foi realizada no mês passado.Paulo WolfgangParticipaçãoProposta do governo federal é de fazer com que as aulas de educação física não excluam ninguém; acima o coordenador geral do esporte educacional do MEC, Orlando Ferraciolli Filho e Elizabete Barbeita, do IndespLondrina recebe Caravana de Esporte Educacional, projeto federal que altera conceito de educação física, tornando-a mais participativa

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