Escolas serão proibidas de vender doces
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Em vez de refrigerantes, doces e salgadinhos industrializados, os alunos de escolas públicas e estaduais passarão a consumir mais sucos naturais, frutas e lanches assados. Pelo menos é o que pretende o governo do Estado ao sancionar a lei nº 14.423, publicada no Diário Oficial no último dia 3 de junho, visando a adoção de hábitos nutricionais mais saudáveis dentro das instituições de educação básica.
Pela lei, fica ''expressamente proibida'' a comercialização de bebidas com teor alcoólico; balas, pirulitos e gomas de mascar; refrigerantes e sucos artificiais; salgadinhos industrializados; salgados fritos; e pipocas industrializadas nas cantinas das escolas. Além disso, estes estabelecimentos deverão colocar à disposição dos alunos dois tipos de frutas sazonais e instalar um mural de um metro de altura por um metro de comprimento, em local próprio e visível, rente ao estabelecimento, para divulgação e informações pertinentes a assuntos relacionados à área alimentícia.
A lei prevê ainda um prazo de 180 dias para as escolas se adequarem, e o não cumprimento acarretará na aplicação de sanções por parte da Vigilância Sanitária. Uma das preocupações do governo, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Educação, é diminuir a incidência de doenças como a obesidade, problema que vem aumentando entre crianças e jovens.
A chefe do Departamento de Infra-Estrutura da Secretaria de Educação, Ana Lúcia Schulhan, lembra que além do consumo de alimentos de baixo valor nutricional, a maioria dos alunos, especialmente nos grandes centros, não pratica atividades físicas nem gasta energia suficiente. ''O tempo livre que têm, passam em frente a computadores, videogames e TVs'', completa. Segundo Ana Lúcia, a Secretaria não terá como fiscalizar se a lei será cumprida, ''até porque este não é nosso papel''. Ela pede, por isso, a colaboração dos pais.
Nas escolas, é justamente a forma como os pais se comportam com a alimentação dos filhos uma das principais preocupações. ''Não adianta a escola suspender a oferta se os pais compram no supermercado ou dão dinheiro para os filhos comprarem no bar da esquina, antes de entrarem na escola. Não podemos revistar a mochila de cada um'', argumenta o diretor do Colégio Estadual Vicente Rijo, Geraldo Magela Zamaia.
A cantina do colégio é de responsabilidade da Associação de Pais e Mestres (APM), e há algumas semanas aboliu o suco natural. ''O fornecedor da máquina que fazia o suco veio buscar de volta, argumentando que não estava compensando'', explica Gilfredo Souza e Silva, presidente da APM. Silva diz que a Associação vai tentar cumprir a lei, mas acha que os alunos ''vão reclamar.''
Os alunos confirmam a suspeita. ''Todos os dias a gente come um salgado e toma um refrigerante. Às vezes também compramos balas, bombom ou pirulito. Se não tiver mais na cantina, a gente vai trazer de casa'', afirma Mayara Rafaelly, de 14 anos. A amiga Ana Paula Santos, também de 14 anos, concorda. ''Suco é bom, mas refrigerante é melhor'', sentenciam.
Na cantina do Colégio Universitário, são oferecidos sanduíches naturais, salada de frutas e maçã. Mas segundo a sócia-proprietária do estabelecimento, Ana Paula Tamarozi Ferraresi, são os produtos com menos saída. ''Vendo cerca de 10 sanduíches por dia, em um universo de dois mil alunos. Já a salada de frutas é bem vendida nos dias quentes.'' A cantina não vende salgadinho industrializado, pirulitos e chicletes. Segundo Ana Paula, algumas mães querem que o filho aprenda a comer determinados alimentos na escola, ''mas a gente sabe que não deve ser assim''.


