Escolas arrombadas e objetos furtados vem trasformando os locais do ensino público de Londrina em vistosos ''cadeiões''. Mas ao contrário do que ocorre no sistema penitenciário, o objetivo não é prender o aluno, e sim evitar a entrada dos arrombadores. O roubo de eletroeletrônicos e mesmo de merenda escolar fez com que a administração municipal acabasse investindo R$ 226 mil na instalação de alarmes em 113 unidades de serviço. Dessas, 87 são de ensino.
A implantação dos sistemas começou há um mês. A primeira construção a receber o alarme, há duas semanas, foi o Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) José Joffily, no Jardim Santiago (zona oeste). O complexo, que abriga 1,1 mil alunos em três turnos de atividades, foi invadida duas vezes em setembro. Na primeira, dia 2, os arrombadores entraram pela biblioteca. No dia 8, por uma janela do refeitório. Sumiram dois televisores e um videocassete. ''O vigia noturno não tinha como guardar toda a área e corria até mesmo risco de vida'', diz Wilson Romano de Paula, diretor geral do Caic.
Além do alarme, o lugar também ganhou mais grades. As janelas do refeitório invadido foram todas protegidas. Mas a ''jaula'' onde permanecia a TV que distraia a garotada durante a merenda teve seu cadeado destruído sem maiores problemas. O aparelho que substituiu o roubado é retirado do suporte quando não está sendo utilizado, medida adotada pela direção após o último ataque.
Nas escolas estaduais, não há estatísticas sobre furtos. Mas no Núcleo Regional de Educação não foi difícil identificar a mais prejudicada pela ação dos arrombadores. A Escola Estadual Carlos Dietz, no Jardim Shangri-lá (zona oeste), foi invadida seis vezes nas últimas férias escolares, entre 15 de julho e 23 de agosto. Sempre nos fins de semana. ''Constatávamos uma nova invasão a cada segunda-feira'', lamenta Dalva Costa Pinheiro, diretora da instituição. ''O pior não era nem o roubo em si, mas o vandalismo mesmo''.
Não foram só vídeos e televisores os alvos preferidos. Em uma das invasões, os frangos que fariam parte da merenda dos 423 alunos de 1 a 4 série do local foram levados. Cansada, a diretora resolveu a situação reforçando a segurança física e alugando um alarme. O aparelho foi bancado pelo próprio colégio. Instalado há 20 dias, parece ter afastado de vez os problemas. ''Nunca mais fomos invadidos, mas o sensor dispara com frequência'', diz Tânia Maia Gomes, auxiliar administrativa da escola.
A biblioteca teve que receber dois armários novos, com dezesseis escaninhos fechados a cadeado. O armário anterior foi arrombado de porta em porta. Televisores também são trancados. A porta da instalação, de ferro, foi também reforçada com grades. ''São tantas chaves que acaba até atrapalhando'', comenta a diretora. A porta que dava acesso à sala número 3, pelo pátio externo, foi lacrada com tijolos e cimento para evitar novas violações.

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