Londrina - A educação sempre aliou a questão pedagógica com as questões sociais, mas a violência e a falta de segurança dos dias atuais interferem na transmissão do conhecimento, prejudicando o aprendizado dos alunos e gerando medo nos professores. No último fim de semana a Escola Estadual Professor João Rodrigues da Silva, localizada no Jardim Antares (zona leste), foi arrombada e furtada. Vários equipamentos foram retirados do laboratório de informática e um servidor com informações dos alunos e do colégio foi destruído pelos bandidos.
Segundo a diretora da instituição, Sônia de Souza Silva Alvares, 48 anos, foi o terceiro furto realizado este ano na escola. Ela destacou que no primeiro foram furtados apenas alimentos, no segundo os bandidos levaram alimentos e produtos de limpeza e neste último foram levados os equipamentos de informática, tais como monitores, CPUs, modens, impressoras, entre outros. O local possuía alarme e câmeras de vigilância, mas nem isso impediu a ação dos gatunos. "Essas ações acontecem de madrugada. Eu credito esses furtos às pessoas que consomem crack e que fazem isso para comprar a droga."
Ela conta que várias pessoas pulam os muros da instituição para utilizar a quadra de esporte como área de lazer. Segundo os próprios alunos, cerca de 30 pessoas frequentam a quadra de esportes nos fins de semana sem a autorização da escola. O muro é baixo e há uma fresta pela qual o lixo é descartado que serve de porta de entrada para muitas dessas pessoas. As janelas não possuem grades e tudo isso acaba sendo um convite para entrar na escola. "Eu tinha acabado de pintar a escola e estava com medo que as pessoas pichassem o prédio. Vou ter de instalar grades para evitar que isso se repita", destacou a diretora.
Quem mais sai prejudicado são os 850 estudantes que precisam dos equipamentos e da merenda. Para o aluno Clóvis Cardoso da Silva, de 14 anos, a falta dos computadores prejudicou a todos que utilizavam o laboratório para fazer pesquisas escolares ou para digitar os trabalhos exigidos pelos professores. "Os computadores ajudavam a gente a compreender melhor a matéria. Vários professores como os de Ciências, Matemática e Geografia utilizavam os computadores para explicar melhor o conteúdo", destacou Silva.
Outro aluno, Mateus Henrique Maciel, de 15 anos, afirmou que muitas pessoas dependem da merenda e do laboratório de informática porque os pais não têm condições de fornecer isso a seus filhos. "Além disso, os recursos da escola que seriam destinados para melhorias na escola acabam sendo utilizados para repor o que foi furtado", ressaltou. Enquanto o material não é reposto, Maciel destacou que terá de recorrer a lan houses para poder fazer as pesquisas e os trabalhos.
O diretor administrativo do Núcleo Regional de Educação, José Carlos Rodrigues, afirmou que os casos de furtos contra escolas estaduais são raros, mas que a Escola Estadual Professor João Rodrigues da Silva é um caso à parte. Ele revelou que a mesma escola já tinha sido furtada uma vez no ano passado e três vezes este ano. "Os ladrões só agem onde fica mais fácil. Nós ainda não identificamos quem está fazendo isso, mas repassamos todas as informações que dispomos do caso para a polícia, para que faça a investigação do caso." Segundo ele, o Núcleo já solicitou recursos para aumentar a altura do muro, mas até hoje esses recursos não foram liberados.
Rodrigues destacou que em outras escolas da rede estadual não foram registradas ações desse tipo. "Um dos grandes problemas é que a Secretaria de Educação não prevê a contratação de vigias ou seguranças. Dependemos do monitoramento da Polícia Militar", ressaltou. Sobre as ameaças de alunos contra professores, o diretor do NRE afirmou que a Patrulha Escolar serve para atender esse tipo de ocorrência. "O problema é que muitos professores se recusam a dar o nome do aluno com medo de represálias e acabam não registrando o boletim de ocorrência, preferindo corrigir esse tipo de comportamento com ações pedagógicas", explicou.
O diretor do NRE destacou que assim que a escola solicitar a reposição do material, o prazo médio para que isso aconteça pode levar 60 dias. "Mas antes disso podemos pegar emprestado de outras escolas os computadores que não estiverem sendo usados."
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação do Paraná para saber quantos furtos aconteceram nas escolas estaduais nos últimos anos, mas a assessoria de comunicação afirmou que não possuía este levantamento.

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