Extintores descarregados, saídas de emergência não-identificadas e cozinhas irregulares são as falhas mais comuns em termos de prevenção e combate a incêndio nas escolas públicas de Londrina. Segundo o tenente-coronel Dario Natan Bezerra, comandante do 3º Grupamento de Bombeiros, 82% dos estabelecimentos municipais e 33% dos estaduais foram reprovados na última vistoria. ‘‘O ensino não é uma atividade de risco, mas qualquer aglomeração constitui uma ameaça à segurança pública. Por isso, a prevenção é fundamental’’, alertou.
  Toda escola – indistintamente – deve incluir no projeto de construção civil estruturas e equipamentos que evitem e apaguem as chamas. Em locais com mais de 1,5 mil metros quadrados, por exemplo, é indispensável a presença de hidrantes, extintores e mangueiras de incêndio. Já em áreas com mais de 5 mil metros quadrados é aconselhável a existência de um sistema de detecção e alarme.
  A reequipação das escolas com televisores nas salas de aula e computadores nos laboratórios de informática é uma perspectiva que alegra e preocupa a diretora Lúcia Aparecida Cortez Martins, do Colégio Estadual de Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante Albino Feijó Sanches, na Zona Sul de Londrina. ‘‘Nossas instalações elétricas são insuficientes e antigas. O acréscimo de mais aparelhos sobrecarregará o sistema e ameaçará o fornecimento de energia no prédio’’, prevê. Este temor já é realidade em outra escola estadual da Zona Leste. Segundo o diretor, que preferiu o anonimato, ‘‘a iminência de chuva é suficiente para deixar o prédio às escuras’’. Por causa disto, a unidade amarga prejuízos com o conserto de aparelhos queimados quase todo mês.
  Conforme o tenente-coronel, o setor privado também possui deficiências que, em virtude da acessibilidade à administração e da necessidade de satisfazer a clientela, são corrigidas mais rapidamente em comparação ao setor público. ‘‘Infelizmente, nosso poder é limitado. A função de exigir a adequação é da prefeitura que pode cassar o Habite-se (aprovação da obra) de qualquer imóvel em seu território’’, completou o bombeiro, que coordena nove quartéis profissionais e cinco brigadas comunitárias na região.
  Para Bezerra, 10 escolas municipais e 7 estaduais merecem atenção especial. Uma parte considerável delas realizou ampliações físicas que – ainda – carecem de segurança. A secretária municipal de Educação Carmem Sposti surpreendeu-se com os números – 76 das 93 unidades – apontados pelo comandante dos bombeiros. ‘‘Sempre que construímos ou reformamos uma escola solicitamos a vistoria dos bombeiros e as mudanças exigidas são atendidas. A prefeitura nunca se omitiu da responsabilidade pela segurança dos estudantes e funcionários da rede. A burocracia é que atrasa a solução dos problemas’’, justificou. Em âmbito estadual, a dificuldade é a mesma. ‘‘Estamos trabalhando na avaliação e respostas para cada caso. Devemos colocá-las em prática, provavelmente, a partir do próximo ano, mas sem prazo de conclusão’’, disse Sergio Roberto Sonilha, supervisor em edificações, do Núcleo Regional de Ensino.

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