Sem a ajuda do governo, os diretores e professores de escolas, pais e os próprios alunos começam a investir contra a violência, as gangues, as drogas e o álcool que levam o terror para dentro das escolas, conforme mostrou a Folha na edição de domingo. A direção do Colégio Estadual Benedito João Cordeiro, no bairro Sítio Cercado, uma das regiões mais violentas de Curitiba, resolveu não esperar os recursos do governador Jaime Lerner e saiu na frente na luta para garantir a paz dentro dos muros que cercam a escola.
A expectativa da diretora do colégio, Maria de Lourdes Bacanof, é inaugurar na próxima semana um sistema de segurança, que vai transformar o colégio numa espécie de prisão. Isso para manter de fora quem é considerado marginal. Com investimento de mais de R$ 10 mil, saídos do caixa do próprio colégio e do bolso da comunidade, foram instaladas três catracas eletrônicas, todas ligadas a um sistema de computador que vai identificar cada aluno que entra no colégio. Os estudantes, também com o próprio dinheiro, compraram o cartão que terão que usar para entrar na instituição. Os alunos deverão passar o cartão nas catracas e na tela do computador irá aparecer o nome, a data de nascimento, o período, a turma e a fotografia de cada um deles.
Os alunos aprovaram a iniciativa da escola. ‘‘Achei legal porque entrava muito estranho aqui’’, disse Sintiamara Pinheiro de Oliveira, 17 anos. ‘‘Assim não entra ‘maloqueiro’ com armas e drogas’’. A estudante afirmou que as brigas entre as gangues são definidas um dia antes e, no dia marcado, muitos alunos entram armados. Aluno da 1ª série do 2º grau, Josiel Jeferson Mancio, 15 anos, concorda com a colega. ‘‘Entra muita gente que não é da escola, que vem só para zoar, para procurar briga’’, disse ele.
O sistema implantado ainda não tem detector de metais, mas Maria de Lourdes quer colocá-lo em breve. ‘‘As catracas são a única forma de a gente impedir que entre qualquer marginal no colégio’’, disse a diretora, que criticou a atuação da Patrulha Escolar. Ao contrário do que afirmou a professora Clemência Ribas, chefe do Núcleo Regional de Educação de Curitiba, que coordena as escolas do município, Maria de Lourdes disse que a Patrulha Escolar não funciona. ‘‘Ela (a patrulha) não aparece aqui desde a semana retrasada. É só olhar na prancheta delas‘‘. A cada visita à escola, a policial da patrulha deve apresentar uma planilha que a direção da instituição deve assinar. (J.A.)

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