Escolas municipais têm aula no feriado
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quinta-feira, 21 de abril de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Contrastando com a pasmaceira que reinou em Londrina durante o feriado de ontem, 15 escolas municipais (entre elas quatro na zona rural) abriram as portas para que os alunos começassem a repor às aulas que deixaram de ser dadas durante a greve dos servidores. Além de feriados, as aulas perdidas vão sacrificar dias de recesso e alguns sábados. No total, foram 22 dias de paralisação, mas o período em que ficaram sem aulas varia de uma escola para outra.
Na Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, no Jardim Universitário (Zona Oeste) os professores ficaram 16 dias parados, e agora vão trabalhar nos feriados de 3 de junho (Sagrado Coração de Jesus) e 7 de setembro. Também deixarão de ter livres cinco sábados. ''Precisamos cumprir os 200 dias letivos, que devem totalizar 800 horas/aula'', explica a diretora da escola, Marilu Maggiolo.
Segundo ela, o calendário foi definido pelo Conselho Escolar junto com a Associação de Pais e Mestres (APM). ''Se não fizéssemos a reposição agora, teríamos que sacrificar parte das férias de julho e a 'semana do saco cheio', em outubro.'' Marilu disse que foi cogitada a possibilidade de repor meia hora por dia, mas a Secretaria de Educação não aceitou por ferir as normas do Conselho Municipal de Educação.
A secretária de Educação, Carmem Sposti, informou que, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que norteia os trabalhos dos conselhos de Educação, a ampliação da jornada só é permitida em casos de calamidade pública ou quando trata-se de situação que foge do controle. ''A regra não se aplica, portanto, ao movimento paredista.''
Carmem esclareceu que a secretaria sugeriu que a reposição acontecesse nos recessos escolares, em um sábado por mês e durante uma semana de julho, mas as escolas tiveram a liberdade de fazer o próprio calendário, desde que o mesmo fosse aprovado pelo Conselho Municipal de Educação. ''Por isso a situação está bastante diferenciada nas 81 escolas municipais.'' De acordo com a secretária, 11 escolas ainda não entregaram o calendário. Ela afirmou que uma equipe percorreu ontem as escolas e que a média de presença dos alunos foi de 80%.
Entre os alunos entrevistados pela Folha na Escola Ruth Ferreira de Souza, vários disseram não ter se importado em ir para a aula em pleno feriado, mas teve quem preferisse as brincadeiras. ''Eu achei normal'', resumiu Assucena Santos da Silva, 6 anos. A garota, que é filha única, disse que gosta de ir para a escola porque em casa não tem com quem brincar. Argumento parecido usou Caroline Kauane Delmiro, 8 anos. ''Se tivesse ficado em casa, ia ter que ajudar minha vó no serviço.''
Já o espevitado Mateus Suave Proença, 8 anos, confessou que preferia ter ficado em casa brincando ou andando de bicicleta. ''Pelo menos eu não ia precisar ficar escrevendo.'' Eduardo Felipe da Fonseca, 7, também gostaria de ter aproveitado o feriado para ir pescar ou caçar passarinho, mas a mãe não deixou que faltasse à aula. ''Queria ter ficado lá na beira do rio...''


