Escolas lucram com educação ambiental
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Luis Lomba De Curitiba Especial para a Folha 
A integração entre 250 escolas e a empresa KR3 Educação Ambiental está possibilitando uma abordagem inovadora para a questão do lixo em seis municípios da Região Metropolitana de Curitiba. O programa envolve 50 mil alunos de Piraquara, Pinhais, Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Colombo e São José dos Pinhais, que levam latas de alumínio, papel e plásticos para as escolas e, em troca, recebem da KR3 materiais didáticos e equipamentos. A empresa inaugurou ontem um galpão de 600 metros quadrados em Piraquara, onde pretende movimentar 80 toneladas de materais recicláveis por mês.
Esses alunos participaram de um programa de educação ambiental desenvolvido pela ONG Naipi e levaram muito material reciclável para as escolas. Vamos recolher esses materiais e entregar à escola o que for escolhido por alunos e diretores, explica Antonio Garcia Fernandes, gerente comercial da KR3. Segundo ele, a empresa paga às escolas o equivalente a 40% do valor do mercado do material reciclável. Vamos anotando e fazemos o acerto mensalmente, diz.
O papel e o papelão recolhidos serão vendidos para a indústria paranaense Trombini. Os plásticos serão reaproveitados em Itajaí (SC) e Campina Grande do Sul. As latas de alumínio serão transformadas por indústrias de São Paulo. A idéia é no futuro comercializar todo esse material no Paraná, diz Fernandes. O projeto prevê a construção de uma indústria de injeção de plástico, para transformar garrafas de refrigerante em cordéis.
O programa será ampliado para igrejas, hospitais e postos de saúde e pretende reduzir em 50% o volume de lixo que os municípios despejam no Aterro Sanitário da Caximba, num prazo de seis meses. O Aterro da Caximba tem uma vida útil de dois ou três anos. A redução dos volumes despejados ali vai ampliar o prazo de utilização, observa Fernandes.
Em setembro, o programa será levado a nove municípios vizinhos à Usina de Salto Caxias, envolvendo 25 mil alunos de 110 escolas. A idéia é aproveitar o trabalho de educação ambiental feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae). Esses municípios não têm aterros sanitários e todo o lixo atualmente vai para depósitos a céu aberto, diz Fernandes.
A KR3 investiu R$ 100 mil na sede em Piraquara. Depois que os materiais que já estão nas escolas forem recolhidos, Fernandes planeja realizar gincanas e outras atividades para manter o interesse dos alunos no projeto.


