Depois da idéia de submeter os alunos a revistas nos colégios estaduais de Londrina, escolas públicas decidiram investir numa medida já bastante usada pelas instituições particulares para tentar combater a violência: controlar o acesso através de cartões magnéticos. Duas escolas estaduais londrinenses pretendem colocar o sistema eletrônico em funcionamento ainda no mês de agosto.
No Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, na zona sul, as catracas estão instaladas e os cartões já foram confeccionados para os 2.400 alunos. ''É uma medida de prevenção, que irá proporcionar um controle maior do acesso'', argumentou a diretora-geral, Lúcia Cortez Martins. Os cartões deverão ser colocados em uso dentro de 15 dias. A escola, segundo a diretora, acertou parceria com a empresa criadora do projeto e não teve nenhum custo para implantar o sistema, avaliado em R$ 12 mil.
Já para os estudantes, o custo do cartão será de R$ 7,00. A diretora garantiu, porém, que os alunos que não tiverem condições de comprar a nova carteira ''não serão prejudicados'' e o direito de assistirem as aulas será preservado. Bruno Eduardo, 16 anos, cursa o 3º colegial no colégio e disse que a novidade, por enquanto, está agradando. ''Se realmente funcionar até compensa pagar, porque pode colocar mais ordem dentro da escola'', afirmou. Segundo outros alunos ouvidos, pessoas que não estão matriculadas pulam o muro com frequência. A diretora confirmou a informação mas disse que todos são retirados rapidamente pelos vigias.
O Colégio de Aplicação, ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), também pretende instalar em breve as catracas nas unidades do centro e do campus. Ontem, a Folha procurou a escola mas não conseguiu localizar ninguém da direção para comentar o assunto.
O problema da violência nas escolas públicas de Londrina tomou vulto em maio deste ano, quando um estudante de 17 anos foi baleado por um colega no pátio de um colégio estadual da zona oeste. Depois de intensa discussão, onde foi debatida a implantação de revistas periódicas nas instituições mais problemáticas, o Núcleo Regional de Educação (NRE) optou por fazer um acompanhamento dessas escolas.
O chefe do NRE, Rony Alves dos Santos, informou ontem que apenas uma escola da zona leste realizou a revista e apreendeu um canivete com um aluno do período noturno. Ele afirmou que as escolas já sentiram melhoras apenas com a divulgação da possibilidade da revista. O que vem preocupando o Núcleo ultimamente são os constantes arrombamentos e furtos. ''É preciso uma ação mais emergencial contra esses problemas'', cobrou.
Quanto às catracas, Santos afirmou que as escolas têm autonomia para decidirem sobre essas questões, desde que o assunto tenha sido discutido com os alunos e os pais. Ela considerou que ''o sistema de catracas é positivo''.

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