Escolas impunham dificuldades
Como os próprios alunos, os professores Amanda Cláudia Barbosa e Dionata Sanches não ouvem e, depois de muitas dificuldades, conseguiram cursar a faculdade de Pedagogia que lhes garantiu a oportunidade de ensinar libras a estudantes surdos na Escola Marquês de Caravelas.
Em comum, eles possuem uma história que inclui dificuldades de comunicação, falta de intérprete na escola regular, experiências ruins em escolas ''especiais'' e obrigação quase impossível de tentar falar sem ouvir. ''Os professores sabiam que eu tinha potencial, mas não conseguia aprender porque não entendia'', contou Amanda. ''Só fui aprender direito no terceiro ano do Ensino Médio, quando passamos a ter intérprete.''
Dionata chegou a ser matriculado em escola para crianças com deficiência cognitiva. Ao entrar na escola regular, as dificuldades continuaram. ''Como eu não compreedia os professores, só bagunçava.'' Um novo mundo descortinou-se quando passou a contar com ajuda do intérprete no terceiro ano do Ensino Médio. Para ele, a inclusão é uma discussão que necessita ser aprimorada.
Intérprete de quatro alunos da escola, Anderson Siqueira Nascimento aprendeu libras para realizar trabalho voluntário e acabou se profissionalizando. ''Sou apenas mediador. Não posso interferir na relação entre estudantes e professores.'' Segundo ele, sua profissão vai além de conhecer a libras. ''É preciso entender a cultura dos surdos, que baseia-se principalmente em expressões e estímulos visuais.'' (C.A.)





