Ana Carolina Sacoman
As 40 escolas estaduais de Maringá estão há mais de um mês sem receber o Fundo Rotativo, que deveria ser repassado pelo governo do Estado. A verba é destinada a serviços básicos, como a compra de material de limpeza e manutenção geral. ‘‘Este é o único recurso que os colégios têm. Sem o fundo, estamos apelando para as APMs e fazendo todo o tipo de promoções’’, disse a presidente da Associação dos Diretores das Escolas Estaduais de Maringá e região (ADEE), Edith Dias de Carvalho.
Segundo Edith, o problema está acontecendo desde o ano passado, mas se agravou este ano, com o atraso da quarta parcela, que deveria ter sido entregue até 10 de junho. ‘‘Pelo menos o governo poderia admitir para a população que não está repassando por absoluta falta de dinheiro. Daí poderíamos explicar aos pais de alunos porque sempre estamos pedindo ajuda’’, disse.
Bingos, feijoadas, rifas e outros sorteios são promovidos constantemente pelos colégios como última alternativa para continuarem funcionando. A diretora da Escola Estadual Ayrton Plaizant, Eliane Scheidt, está pedindo R$ 1,00 para cada um dos 629 alunos. ‘‘Esse dinheiro será usado para saldar algumas dívidas com fornecedores e para garantir o material básico, como giz’’, disse. Ela afirma que os pais não podem mais arcar com as constantes promoções e a única saída foi pedir o dinheiro. ‘‘Não podemos mais contar com o governo’’.
A situação no Colégio Estadual Alfredo Moisés Maluf só não é pior porque a diretoria ainda está conseguindo redirecionar a verba da APM para outros setores. ‘‘O ruim é que estamos sacrificando uma verba que já estava destinada para melhorias, para investir em serviços básicos como a compra de lâmpadas’’, afirma o diretor João Ivo Caleffi. A escola possui 1,5 mil alunos matriculados nos três períodos. De acordo com as normas do Fundo Rotativo, deveria ser destinado R$ 1,00 para cada estudante, o que não está acontecendo. ‘‘Estamos recebendo uma média de R$ 1,1 mil, o que não dá nem R$ 0,80 para cada um. Mas neste mês, nem isso chegou’’, afirmou.
Caleffi afirma que a situação poderá ser sustentada somente até o início das férias de julho, na próxima semana. ‘‘Se depois deste período não tivermos nenhuma solução, tudo vai se complicar. Dependendo do caso, teremos que fechar as portas, mas isso vai ser decidido em conjunto. Não queremos tomar esta medida drástica’’, disse Caleffi.

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