Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
A prefeitura de Foz do Iguaçu ainda não implementou o ‘‘Dinheiro na Escola’’, programa criado no início do ano letivo para garantir recursos para reparos e pequenas reformas na estrutura física das 55 escolas municipais da cidade. Lançado em fevereiro pela presidente da Paraná Turismo, Rosicler Hauagge do Prado (então secretária de Educação do município), o programa destinaria às escolas, a partir de abril, uma verba mensal de R$ 0,50 para cada aluno.
A promessa da ex-secretária era de que os recursos do ‘‘Dinheiro na Escola’’ ajudaria a solucionar problemas de gastos extras com pequenos consertos nas instalações hidráulicas e elétricas, pintura interna e externa dos prédios e troca de telhas, pisos e vidraças.
‘‘Estamos com dificuldade de caixa para implementar imediatamente o programa, mas isto não significa que deixamos de realizar estas pequenas obras nas escolas’’, lembra a atual secretária, Alenir Inácio da Silva. Ela afirma que, neste ano, a prefeitura tem atendido ‘‘na medida do possível’’ todas as solicitações das escolas, com dinheiro do próprio orçamento da Secretaria da Educação.
A burocracia no trâmite para a liberação da verba e os altos custos ocasionados pela contratação centralizada dos serviços persistem sem a implementação do programa. ‘‘A descentralização e o barateamento dos serviços com a contratação de mão-de-obra no próprio bairro da escola são os principais objetivos que queremos atingir com o programa ’’, explica Alenir.
Diretores de escolas buscam formas alternativas para resolver os problemas emergenciais que surgem no dia-dia de cada escola. Além da arrecadação em festas para a comunidade, a Escola Júlio Pasa, na Vila Matilde, área central de Foz do Iguaçu, paga seus reparos e consertos com a contribuição dos pais de alunos.
Metade dos pais dos 455 alunos da escola contribui mensalmente com R$ 1,00 e ajudam a custear obras de manutenção do prédio. De acordo com a diretora Eliane Marques de Oliveira, 70% das crianças moram em favelas ou tem pais desempregados. Em fevereiro, a Folha mostrou a situação da escola, que entre outros problemas, apresentava grandes buracos no piso das salas de aula.
‘‘Pusemos lajota e melhoramos as condições da sala com recursos próprios’’, disse Eliane, que espera para breve os recursos do programa. ‘‘Não vamos dispensar as promoções e a contribuição dos pais, mas poderíamos usar este dinheiro para construir mais salas de aula’’, pondera a diretora.

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