Apesar de não combinar com educação, a violência está presente em muitas instituições de ensino. De forma geral as autoridades remetem o problema à desestruturação das famílias. Tal condição aliada ao tráfico de drogas está relacionada às principais ocorrências registradas pela direção das escolas.
O Colégio Estadual Olympia de Moraes Tormenta (Zona Norte de Londrina) atende cerca de dois mil alunos em três turnos. As grades nas janelas e os cadeados nos portões denunciam a preocupação com a integridade dos estudantes e da instituição. O diretor do período vespertino, Ricardo de Paula Barboza, afirma que, sem as telas de proteção, os próprios alunos quebram os vidros das salas de aula. ''Em busca de mais segurança também dividimos a escola em blocos'', elenca.
Situações de violência não são registradas com frequência porque, segundo Barboza, a direção fica ''em cima''. ''Temos inspetores localizados em pontos estratégicos e, na hora do recreio, a equipe pedagógica circula pelos corredores'', explica.
Segundo o diretor, a escola pretende trabalhar a questão da cidadania com os alunos neste ano. ''Temos ideias em mente, as atividades devem ser colocadas em prática em sala de aula e também no contraturno. Estamos dependendo da liberação de projetos pelo Governo, mas acreditamos que será possível iniciar este trabalho ainda neste mês'', comenta.
Apesar de tanta segurança do lado de dentro, dos portões para fora traficantes assombram os muros e ruas nas proximidades do colégio. ''Percebemos que existe comércio de drogas'', destaca o diretor.
Cultura da paz
Essas observações também são pontuadas pela diretora do Colégio Estadual Lauro Gomes (Zona Norte), Luci Lene Breve. Ela diz que a escola era considerada violenta. ''Em 2008 começamos a desenvolver um projeto pela cultura da paz. Fazemos palestras com os alunos em sala de aula sobre a importância da escola e da educação; percebemos que houve mudança de comportamento.''
Segundo ela, os professores e os pais também são abordados, já que o colégio considera a equipe pedagógica e as famílias fundamentais no incentivo à educação. O projeto com os alunos é desenvolvido de forma mais intensa, com frequência o tema é abordado em sala de aula.
De acordo com a pedagoga do colégio, Keli Cristina da Silva, o foco do projeto são os alunos que estudam à noite, mas o trabalho é extendido aos 850 alunos que frequentam a escola nos três turnos. ''Quando percebemos que algum adolescente está em situação de risco, orientamos aos pais que inscrevam esse aluno em projetos sociais profissionalizantes no contraturno'', explica.
Para ela, trabalhar a autoestima é uma maneira eficiente de combater a violência. ''Às vezes o adolescente já passou por tantas situações negativas na vida que não acredita no futuro.'' A equipe do colégio procura mostrar aos jovens que eles podem fazer um futuro diferente e positivo. ''Temos ex-alunos que se formaram em Medicina, outro está no último ano de Odontologia e uma ex-aluna está começando agora o curso de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina. São bons exemplos, queremos trazê-los para conversar com os atuais estudantes para mostrar que eles também podem alcançar esta conquista. Só depende do esforço de cada um'', destaca.

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