A partir desta sexta-feira (20), as escolas da rede pública e privada em todo o Paraná vão suspender as aulas por tempo indeterminado e entre hoje e quinta-feira (19) a presença das crianças em sala de aula passa a ser facultativa. A medida atende o Decreto 4230 do governo do Estado, que dispõe sobre medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus.

CMEI Valéria Veronesi: algumas crianças já deixaram de ir às aulas na terça
CMEI Valéria Veronesi: algumas crianças já deixaram de ir às aulas na terça | Foto: Micaela Orikasa - Grupo FOLHA

O cenário se reflete por todo o País com as confirmações da doença avançado pelos estados. Para prevenir a doença e barrar a transmissão do vírus, os 42.281 alunos distribuídos entre as 120 unidades escolares da rede municipal de Londrina deixarão de ir para as salas de aula. A notícia pegou muitos pais de surpresa, que ainda não planejaram com quem irão deixar os filhos.

O maior impacto é na educação infantil, que atende 9.781 crianças, sendo 4.909 matriculadas nos CMEI (Centros Municipais de Educação Infantil) e 4.872 nos CEIs filantrópicos conveniados. A medida em Londrina foi anunciado pelo prefeito Marcelo Belinati na tarde de segunda (16) e a direção das escolas aguarda o comunicado oficial para avisar os pais, apesar de a maioria já saber da notícia.

ZONA OESTE

A FOLHA conversou com a direção de CMEI nas quatro regiões da cidade para ver como as famílias estão reagindo à situação. Na zona oeste, no CMEI Sandra Regina Maximiamo Leme, localizado no jardim Santa Rita, a direção informou que na manhã de terça (17) já houve algumas faltas entre os 255 alunos (de 4 a 5 anos). "Os pais estão acompanhando as notícias, mas vamos mandar os recados na agenda entre hoje e amanhã (quarta-feira)”, disse a diretora Gleicy Patricia Moretto Rocatelli.

ZONA SUL

Na zona sul, a diminuição da frequência de alunos chegou a 30% em algumas salas do CMEI Marina Sabóia Nascimento, no jardim Cristal. Segundo a diretora Ellem Regina Brassaroto Borges, “os pais têm validado a medida. Acredito que a sociedade está bem participativa e buscando se cuidar”, comentou. Na instituição estudam 269 alunos entre 1 e 4 anos.

ZONA NORTE

No CMEI Irmã Maria Nívea, que fica no residencial Vista Bela (zona norte) e atende 200 crianças entre 4 e 5 anos, a diretora Valdirene Maria Stremel Movio diz que os pais estão preocupados e medidas de higiene já estavam sendo aplicadas com as crianças. “Além disso, estamos ainda enfrentando a questão da dengue. Temos pais que trabalham o dia todo e a maioria vai acabar deixando com os avós”, comentou.

ZONA LESTE

A diretora Ines da Silva Bernardes, do CMEI Lavínia Monteiro de Moraes, contou que as mães estão se organizando para deixar as crianças com alguém a partir da semana que vem, mas que a escola tem orientado a evitar deixá-las com os avós, que é o grupo de maior risco. “Alguns também já se perguntam sobre defasagem escolar. Ainda não temos todos os detalhes e as pessoas que tenho conversado é pelo contato no portão, na entrada e saída dos alunos”, disse. A creche fica no residencial Moradias Tibagi, na zona leste, e atende 177 alunos de 2 a 5 anos.

Na educação infantil são 9,7 mil crianças matriculadas em Londrina
Na educação infantil são 9,7 mil crianças matriculadas em Londrina | Foto: Micaela Orikasa - Grupo FOLHA

ÁREA CENTRAL

Em uma das maiores instituições da rede municipal, o CMEI Valéria Veronesi, na região central de Londrina, são 430 crianças (entre 4 meses e seis anos) nas salas de aula. A diretora Patrícia Ribeiro Costa Rios observou que nas famílias que já se organizaram, as crianças já deixaram de ir para a escola na terça (17).

Mas essa não reflete a realidade de Michelle de Almeida, que trabalha em horário comercial no setor financeiro de um hospital. Ela diz que não tem uma rede de apoio para ajudar nos cuidados da filha Lívia, de oito meses. A bebê fica no CMEI pela manhã. “Não sei o que vou fazer. Não consegui pensar em uma solução porque meu marido também trabalha fora o dia todo. Sei lá. Vou ter que pedir férias adiantadas ou faltar no trabalho”, desabafou.

A manicure Josiane Leite, que trabalha em um salão de beleza, disse que deixará de trabalhar nos próximos dias e isso significa deixar de ganhar dinheiro. “Vou ficar em casa para cuidar dela e se eu não trabalho, não ganho”, afirmou.

Eva Tereza da Silva Ribeiro, que trabalha com serviços gerais no centro da cidade, tem dois filhos matriculados no Valéria Veronesi e está conversando no trabalho em busca de soluções. “Nossos parentes moram fora e meu marido trabalha em horário comercial. Fora isso, não temos condições de pagar alguém para cuidar deles. O jeito vai ser levá-los no trabalho ou pedir férias”, comentou a mãe do Benjamin, 3, e Emanuelly, 5.

PROFESSORES

O presidente do APP-Sindicato Londrina, Márcio Ribeiro, informou que uma nota pública foi emitida no domingo (15) cobrando agilidade nas decisões do governo do Estado em relação à educação. “O aluno que puder, a recomendação é que já fique em casa. As faltas serão abonadas. O mesmo vale para os profissionais da educação com mais de 60 anos, em estado de gravidez ou com doenças crônicas”, disse.

O sindicato abrange professores(as), pedagogos(as) e funcionários(as) da educação infantil, ensino fundamental, médio e especial, da rede pública estadual e municipal de Londrina e outros 19 municípios que fazem parte do Núcleo Sindical. Somente em Londrina, são aproximadamente 10 mil profissionais.

De acordo com a publicação, ainda é difícil mensurar o prazo em que as escolas deverão ficar fechadas e que “caberá aos organismos de normatização da legislação educacional posicionar-se sobre a organização do calendário escolar.”

“Enquanto entidade de educadores vamos abrir um diálogo com a secretaria de Educação para que os alunos não tenham prejuízos no calendário letivo, considerando o que for de bom senso”, acrescentou.

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