Escolas de Castro reiniciam as aulas
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Flora Guedes<br> Equpie da Folha 
Curitiba Castro tenta voltar à normalidade depois do pânico gerado pela morte dos dois adolescentes, vítimas da meningite bacteriana do tipo B, considerada a mais grave. A menina de 15 anos faleceu no dia 12 deste mês, e o menino, de 14 anos, no dia 16. Ontem, cerca de 20 mil alunos das redes pública e particular do município retornaram às salas de aula. Os secretários municipais de Saúde e de Educação visitaram o o Colégio Estadual Amanda Carneiro, onde estudavam os dois jovens, para prestar esclarecimentos aos cerca de 860 alunos.
Um estudante de 14 anos, da mesma escola, que também contraiu a doença e estava internado, recebeu alta ontem. Os exames do rapaz apontaram que ele desenvolveu uma meningite não especificada, de forma mais branda, de acordo com a chefe da Vigilância Epidemiológica de Castro, Karen Moroz. ''Na última sexta-feira fizemos mais uma reunião com os diretores de escolas e como não houve mais casos e nem suspeitos, resolvemos que na segunda haveria aula normalmente'', explicou.
No colégio compareceram cerca de 90% dos alunos na parte da manhã e à tarde não houve faltosos. ''Foi importante esse período de suspensão porque tranquilizou os pais. Estamos em período de provas, mas os professores resolveram conversar mais com os alunos, frisar sobre os procedimentos de higiene e voltarmos aos poucos a rotina'', informa a diretora auxiliar, Silmara da Silva.
A maioria das escolas do município ficou três dias sem aula o Colégio Amanda ficou cinco e a proposta é que seja feita a reposição das aulas no final do ano, após o término do calendário padrão. ''Estamos fazendo com a Secretaria Municipal de Educação um projeto para todas as redes reporem juntas as aulas. Vamos ver se núcleo regional vai aprovar'', aguarda a diretora.
''Vivemos uma situação atípica. Recebemos bastante telefonemas de pais nos apoiando e até cultos e orações a comunidade fez para nos ajudar. Castro é uma cidade pequena, todos se conhecem'', contou Silmara. ''A gente passou uma semana muito difícil, nosso alunos ficaram muito preocupados e receosos.''
Castro vive um surto de meningite, já que registra oito casos e três óbitos, desde o começo do ano. ''Nós estamos sempre em alerta, porque a meningite é uma doença endêmica na nossa região, devido ao clima temperado e por se tratar de uma doença infectocontagiosa, que transmite de pessoa para pessoa'', explica Karen, dizendo que as três mortes por meningite, este ano, foram de dois adolescentes e uma criança, justamente por essa faixa etária ser mais susceptível por frequentar locais de aglomeração de pessoas, como shoppings.
O mapa epidemiológico feito de um dos óbitos concluiu que a doença foi disseminada por um portador assintomático, ou seja, por uma pessoa que não desenvolve a meningite mas pode trasmiti-la. ''Não podemos prometer que não haverá mais casos. Mas fizemos o bloqueio da doença em todos os comunicantes diretos para evitar a trasmissão. Também pedimos para a população não fechar as janelas e deixar o ar circular nos cômodos, mesmo que esteja frio'', esclarece. ''Pedimos que também evitem compartilhar chimarrão, canudinhos, copos, talheres e escovas de dentes'', lembra Karen Moroz.


