Escolas da RMC serão incluídas no 'Mais Educação'
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe Folha 
Curitiba - As crianças que estudam em cinco escolas de Curitiba e outras cinco de São José dos Pinhais que registraram um Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) abaixo de 2,9 vão ficar mais tempo no colégio a partir de agosto. O Ministério da Educação (MEC) incluiu as duas cidades no programa ''Mais Educação'', que irá investir R$ 60 milhões na implantação do ensino em tempo integral em escolas de todo país. Todas as instituições de ensino escolhidas para o programa são da Rede Estadual de Ensino.
A iniciativa, no entanto, não está sendo recebida com muito entusiasmo pelas prefeituras e pela Secretaria de Estado da Educação (Seed). ''Pelas informações que recebemos até agora o MEC irá repassar uma bolsa de R$ 270,00 para contratar instrutores e R$ 0,22 por dia por criança para complementar a alimentação para quem aderir ao programa'', explica Jorge Eduardo Wekerlin, superintendente da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba. Segundo Wekerlin, a prefeitura gasta cerca de R$ 1,00 por dia com a alimentação das crianças do ensino regular e R$ 3,00 com alunos do ensino integral. ''O valor definido pelo Ministério é muito baixo'', constata.
Para a chefe do Departamento de Educação Básica da Seed, Marilane Hutner, o Mais Educação servirá para complementar as ações do programa Superação, promovido pelo Governo do Estado em escolas com baixo desempenho no Ideb. ''Só o que o MEC está propondo não garante um melhor desempenho das instituições de ensino'', explica. Segundo ela, o Superação atende 200 escolas em todo estado com investimentos na infra-estrutura e no desenvolvimento de atividades no contraturno. ''Essas escolas também irão ser priorizadas pela Secretaria de Obras do governo para que possam receber as melhorias necessárias'', adianta.
O programa Mais Escola começa em agosto, no entanto, segundo Hutner, as crianças não deverão ter atividades em tempo integral em todos os dias da semana. ''Não é só o aumento do número de aulas que traz melhorias. Estamos investindo também na formação de professores'', conta. A idéia, diz, é complementar o que é ensinado no período regular de ensino, com atividades culturais, esportivas e acadêmicas. ''Os alunos terão auxílio para fazer a lição de casa e vão ter aulas de arte, música e práticas esportivas''.
Wekerlin é menos entusiasmado com a idéia, uma vez que já há 98 escolas municipais com ensino integral. ''A remuneração prevista para os instrutores é muito baixa para a nossa realidade'', reclama. ''A utilização do Ideb como critério é um equívoco, porque há outros fatores que influenciam o desempenho do aluno'', diz. ''Em Curitiba, o ensino integral é um recurso utilizado em áreas em que as crianças estão expostas a risco social'', explica. Para Wekerlin, esse tipo de iniciativa precisa ser criteriosa. ''Não se faz teste com criança. Uma ação dessa tem que ser estruturada'', avalia.
Segundo o superintendente, apesar do município não ter nenhuma escola em sua rede com Ideb menor que 2,9, o MEC propôs que a prefeitura aderisse ao programa já que escolas estaduais serão contempladas na cidade. ''Mas não sabemos ainda se vamos aderir, pois o investimento previsto não é tão significativo'', diz. Caso aceite a proposta da União, a rede municipal poderá incluir duas instituições entre as selecionadas para o Mais Educação.


