Escolas católicas perderam 300 mil alunos em 3 anos
Érika Wandembruck
Especial para a Folha
De Curitiba
Uma pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) mostra que 130 escolas católicas de pequeno porte, de ensino fundamental, fecharam as portas entre 96 e 99. Com isso, juntas, as instituições ficaram com 300 mil alunos a menos em seus quadros. Em compensação, a qualidade do ensino melhorou (por causa das desistências, transferências e reprovações). Já o número de bolsas de estudos, tanto totais quanto parciais, cresceu 6% (em 96, 29% dos alunos eram bolsistas, em 99 somavam 35,7%).
O resultado da pequisa foi apresentado ontem na PUC, em Curitiba. O material foi feita para prestar contas à sociedade, governo e igreja sobre o trabalho filantrópico e educacional realizado pelas escolas católicas em todo o País.
A crise econômica, o desemprego, a falta de condições básicas de educação e saúde, além da Lei Institucional Filantrópica nº 9732 que aumentou a carga tributária das instituições filantrópicas e cortou as verbas que o governo destinava a elas foram os principais motivos das mudanças constatadas pela pesquisa.
O levantamento também traz informações sobre a contribuição das escolas católicas para o desenvolvimento social do País. Foram realizadas 41.100.014 atendimentos individuais, 5.201.270 atendimentos familiares, distribuídos 30.561.283 quilos de alimentos e 3.426.887 peças de roupas, além da doação de 505.744 unidades de remédios, em 98.
O governo deveria continuar incentivando a filantropia, pois estaria ajudando os menos favorecidos, disse o arcebispo Dom Pedro Fedalto. Todas as universidades, tanto federais quanto particulares, argumentou, deveriam ser pagas por aqueles que têm condições, e gratuita para aqueles que não têm recursos. Segundo ele, a verba para a educação de carentes deveria ser disponibilizada pelo governo.
A Igreja Católica tem 14 escolas gratuitas no Paraná, São Paulo, Distrito Fedetal e Amazonas. No Paraná são cinco escolas Maristas de ensino fundamental e ensino médio. Para manter tudo isso, temos dificuldades, por isso precisamos do incentivo do governo, disse o reitor da PUC, Ivo Clemente Juliatto disse. Segundo ele, a pesquisa foi encaminhada ao presidente da República, deputados e senadores e está a disposição da sociedade.





