Escolas campeãs das listas de espera
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Todo começo de ano a rotina se repete: escolas centrais, tidas como mais ''fortes'', recebem um verdadeiro batalhão de pais à procura de vagas para os filhos. Alguns são moradores de regiões bem distantes. Além da preocupação com a qualidade do ensino, os pais e também os próprios alunos procuram colégios que lhes permitam fugir das aulas noturnas, comuns nas escolas menores, que não têm estrutura física para oferecer turmas de Ensino Médio durante o dia.
O diretor do Colégio Estadual Marcelino Champagnat, Claudecir Almeida da Silva, acredita que a idéia de que as escolas mais próximas do Centro são melhores é um mito, porque, lembra, todos os professores têm a mesma formação e recebem a mesma capacitação. ''Outro fator importante é que quando a criança estuda perto de casa, a família tem mais condições de participar da vida da escola'', ressalta.
Para quem acha que isto não tem muita importância, o chefe do Núcleo Regional de Educação, Rony Santos Alves, afirma que os colégios considerados melhores são justamente aqueles em os pais têm participação efetiva. ''Criou-se um mito que se tornou realidade, porque os pais assumiram algumas responsabilidades nestas escolas, e o esforço das famílias passou a se refletir no trabalho dos professores e direção.''
Alves observa ainda que os pais têm o direito de cobrar frequência e dedicação dos professores, e esta cobrança fica mais fácil quando eles conhecem a realidade da instituição em que o filho estuda. ''A escola não pode ser um corpo morto dentro da comunidade. Tem que ser um espaço democrático'', define.
O Colégio Aplicação, assim como a maioria dos colégios que oferecem Ensino Médio (antigo colegial), tem que equilibrar o excesso de procura por vagas no período diurno com a sobra no período noturno. ''Para o 3º ano matutino restam apenas algumas vagas. Já para os três anos do ensino médio noturno ainda há muitas'', explica o diretor auxiliar Homero Amaral. Amaral diz não saber exatamente por que a instituição concebida através de um convênio entre a Secretaria Estadual de Educação e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é tão procurada.
Segundo o diretor do Marcelino Champagnat, a legislação federal diz que o ensino fundamental deve ser ofertado, obrigatoriamente, no período diurno. Já para o ensino médio não há regra de horário. ''As turmas devem ser oferecidas de acordo com a disponibilidade da escola'', explica o diretor. O colégio, que está localizado na área central e foi revitalizado há quatro anos, mantém o ensino médio na parte da manhã mesmo depois de a escola ter diminuído o número de salas de aula.
''Antes da reforma, tínhamos 35 salas, mas dessas, 15 eram de madeira, que haviam sido construídas provisoriamente. Atualmente, somados o laboratório de informática e as salas de vídeo, leitura e artes, a instituição conta com 25 salas'', explica o diretor, ressaltando que as turmas da manhã do antigo colegial foram preservadas para não agravar o problema da falta de vagas no período diurno na cidade. ''À noite sobram vagas e de manhã não tem para todos que querem'', conclui Silva.


