Escolas adotam ensino em grupo
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
O sinal do colégio bate e os alunos seguem para a sala de aula. É o início de mais uma semana de estudos. A cena poderia ser comum, não fosse um único detalhe: ao invés de cada um sentar em sua carteira, eles se juntam em duplas ou em grupos.
A dinâmica é adotada por algumas escolas em Londrina e, segundo alunos e professores, o método está fazendo a maior diferença. ''Na hora de resolver os exercícios, os alunos se ajudam e isso é uma forma também de afastar as diferenças que possam existir entre eles. Outra vantagem é que o professor consegue identificar melhor as dificuldades de relacionamento de cada aluno'', afirma a professora de português Rosângela Lima, do Colégio Universitário.
Ao contrário do que se possa pensar, a conversa em sala de aula não aumentou. ''É claro que é inevitável em qualquer escola, mas essa dinâmica é mais uma maneira de trabalhar questões de regras e comportamento. Além disso, é uma boa forma de controlar o bullying'', conta a professora, que tem autonomia para intervir nas duplas, quando necessário.
A cada dia de aula os alunos trocam de parceiros. A regra é não repetir de lugar nem de dupla. ''Esse é um jeito também dos estudantes experimentarem todos os espaços da sala'', explica a psicopedagoga e coordenadora do Ensino Fundamental II (de 5 à 8 série), Carla Rocco, onde a dinâmica vem sendo aplicada desde o início das aulas, em fevereiro.
Os colegas Victor Andrade Batistella e Lais Demomi, da 6 série, comentam que a escolha dos parceiros é muito importante e as afinidades nesta hora podem ajudar. ''Vejo se a pessoa gosta de estudar e é atenciosa, para não me prejudicar. Mas fora essa questão do aprendizado, o mais legal é poder conhecer melhor os outros colegas. Você sempre descobre coisas novas e as amizades vão crescendo'', conta Victor.
Já Lais defende que sentar em duplas ajuda, principalmente, os novos alunos. ''Para quem acabou de chegar de outra classe e até de outra escola fica muito mais fácil interagir. Quando eu contei em casa sobre essa mudança, meus pais acharam bem legal'', diz.
De olho no futuro
A psicopedagoga Carla Rocco diz que esse trabalho desenvolvido no colégio é uma tendência na fase formativa dos alunos, pois eles adquirem autonomia para tomar decisões e fazer escolhas.
''A ideia de se trabalhar e conviver em grupo é muito importante nesse período, pois se essa formação estiver bem consolidada, os alunos estarão preparados para o ensino médio e para o futuro'', ressalta.
Além dessa visão, há um outro ponto que também demonstra mudança na metodologia de ensino. De acordo com Carla, antes as escolas trabalhavam muito de maneira punitiva, mas hoje isso não deve acontecer mais.
''O aluno deve ter a oportunidade de refletir sobre os próprios erros e ter a chance de se retratar. Por isso, a questão da justiça e do respeito deve ser trabalhada no dia a dia e não só como conteúdo, pois assim como todas as áreas, a educação deve ser sempre repensada'', explica.


