Maringá - Jefferson Carlos Gregolin Júnior tem apenas seis anos, mas já vivenciou momentos bastante ruins em um ambiente hospitalar. Ele caiu de bicicleta, quebrou o cotovelo e passou por uma cirurgia reparadora no Hospital Universitário (HU) de Maringá (Noroeste), onde ficou internado por uma semana. No período em que esteve na unidade de saúde, as aulas de alfabetização com a professora de Língua Portuguesa Maria Emília Passos Simões da Silva foram a distração que ele precisava para esquecer a dor.
''Ele chorou muito por causa da cirurgia, mas depois que começou a fazer aulas se animou'', comentou a mãe, Rosemere Rodrigues de Oliveira, que acompanhou o filho num dos atendimentos na sala do Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh), onde o menino, que está na primeira série, aprendia a escrever o próprio nome com letras coloridas.
Internada no HU em decorrência de uma paralisia em uma das pernas, Gabriele Caroline da Silva Barros, 9, preparava atividades de matemática no próprio leito, sob a orientação do professor de Ciências Exatas Sevério Donisete do Nascimento. ''Achei legal, mas tive dificuldade em alguns exercícios'', declarou a garota, sobre ter aulas no hospital.
Diego Henrique de Andrade Miranda, 13, também quebrou o braço e precisou de cirurgia. Com dores, ele quase não conseguiu responder às perguntas sobre a história da Copa, elaboradas pela professora de Ciências Humanas Cecília da Silva Tenório. Mesmo assim, gostou da ideia de aprender no hospital: ''Descobri coisas sobre a Copa que eu nem sabia, achei legal'', confessou o estudante da sétima série.
Completando três anos de atuação em Maringá, o Sareh atendeu, de junho de 2007 a maio de 2010, 516 crianças, segundo a pedagoga Angela Regina Ramalho Xavier. E devido às diferentes patologias, a rotatividade de alunos é bastante grande: ''Todo dia abrimos e fechamos fichas'', constatou a pedagoga, que realiza as abordagens pela manhã e repassa as fichas dos alunos à equipe de três professores que trabalha à tarde.
O tempo de aula, ressaltou Angela, depende da disponibilidade do aluno. ''Se a criança estiver com dor, passando mal ou dormindo, a aula é interrompida'', citou a pedagoga, lembrando que em casos de abandono escolar, a equipe entra em contato com a escola mais próxima da residência do estudante para buscar uma vaga.
Crianças aguardando transferência para outros hospitais também são atendidas quando o período de observação supera três dias. Já quem está em leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) recebe aulas nos casos em que a internação é só para o uso da aparelhagem.

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