Paulo Ubiratan
De Londrina
Mais de 800 crianças e adolescentes poderão ficar sem escola no Conjunto Parigot de Souza, na zona norte de Londrina. O problema é que o número de vagas oferecidos pela Escola Estadual Adélia Dionísio Barbosa não é suficiente para atender a demanda. O diretor da escola, Edno Mariano dos Santos, já comunicou o problema para a chefe do Núcleo de Educação de Londrina, Maria Genoveva. Ela prometeu ir para Curitiba amanhã e pedir na Secretaria de Educação do Estado para que as vagas sejam preenchidas nos horários intermediários.
‘‘Em virtude da emergência, vamos usar esta alternativa, mesmo que não seja a ideal’’, afirmou Maria Genoveva. Ela enfatizou que já havia comunicado o problema em Curitiba e solicitado a construção de mais salas de aulas ou a construção de um outro colégio no bairro. No entanto, foi informada que não havia verba para a realização dos projetos. A situação de falta de vagas é tão grande que, somente para as duas primeiras séries, existem 290 pedidos de matrículas para apenas 170 vagas.
Por causa do problema de vagas, estão surgindo denúncias contra a direção da escola e a Associação de Pais e Mestres (APM) do estabelecimento de ensino. As queixas revelam que as vagas são preenchidas com quem paga primeiro a taxa de R$ 13,00 da entidade, que não é obrigatória. Segundo o ex-presidente da associação de moradores do bairro e pai de aluno, Cláudio Luis dos Santos, a matrícula estaria vem atrelada à taxa. ‘‘Quem não tem os R$ 13,00 não faz a matrícula e fica aguardando a promessa do colégio chamar por telefone para que ela seja feita outro dia. Isso caracteriza que somente é matriculado quem pagar a tal taxa’’, afirmou Cláudio Luiz.
A versão é confirmada por mais cinco alunos procurados pela Folha. Eles disseram que esperam o telefonema da escola há mais de uma semana, quando foram fazer as matrículas e não tinham dinheiro para pagar a taxa da APM. No próximo sábado, Cláudio Luis pretende convocar uma reunião para debater o problema.
‘‘Isso não pode acontecer. Esta taxa não é obrigatória e ninguém vai ficar sem matrícula por causa dela. A partir de amanhã (hoje) peço que estes alunos me procurem pela manhã, para serem matriculados’’, refutou o diretor Edno Mariano. Ele também enfatizou que ninguém vai ficar sem estudar por falta de vagas e garante que até o final da semana a chefe do Núcleo trará uma solução de Curitiba.

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