As aulas na escola estadual Kazuko Ohara, no jardim Bandeirantes (zona oeste), recomeçam hoje, com a promessa do comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, de reforço no policiamento local. As aulas estavam suspensas desde a quinta-feira da semana passada, quando ocorreu uma fuga no 3º Distrito Policial, que fica ao lado da escola. Professores e alunos estavam dispostos a não voltar às atividades enquanto o problema não fosse solucionado.
A decisão do comandante do 5º BPM foi anunciada ontem à tarde, durante reunião com os moradores na Câmara de Vereadores, que teve a presença do juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Irineu Abílio Vieira, do engenheiro-chefe do escritório local da Secretaria de Obras, Marcelo Paulino.
A reunião foi realizada por iniciativa dos vereadores Adalberto Pereira (PFL) e Célio Guergoletto (PMDB). Cerca de 150 pessoas, entre moradores, estudantes e pais de alunos da escola compareceram à Câmara para pedir uma solução para a falta de segurança na região. ‘‘Temos o direito de trabalhar e as crianças de estudar’’, afirma a diretora da escola, Enedméa Rodrigues.
A diretora reclama do jogo de empurra-empurra das autoridades e pediu que alguém tomasse providências. ‘‘Quem de vocês colocaria um filho para estudar em uma escola que fica ao lado do 3º distrito?’’ A princípio, os moradores queriam a interdição do distrito, mas o próprio presidente da Associação dos Moradores do Jardim Bandeirantes, Ivo de Bassi, admite que não adianta tirar os presos do 3º DP se não há para onde levá-los.
O juiz Roberto do Valle diz que legalmente é impossível interditar o 3º DP. ‘‘De certo modo, eles (moradores) têm razão porque o medo impera na Cidade mas, infelizmente, eles têm que ter paciência.’’ O juiz acha que a reforma no 5º Distrito Policial (zona norte) deve ser concluída em 20 dias. Assim, os presos do 3º DP poderão ser recambiados para o 5º DP para que a reforma no jardim Bandeirantes possa começar.
Após a reforma, o 5º DP terá uma segurança ‘‘de 90%’’, segundo o juiz. O delegado-chefe da 10ª SDP também acredita que o problema poderá ser minimizado com a reforma nos distritos. ‘‘Ultimamente há problemas no 3º DP porque estamos improvisando consertos, empurrando com a barriga.’’ Leonyl Ribeiro se refere a uma rebelião, ocorrida em maio, quando os presos quebraram parcialmente a delegacia.
Falando sobre reforço policial nos distritos, o juiz lembra que há alguns meses requereu à Polícia Militar que fizesse a guarda externa, mas isso foi recusado. Este fato, segundo ele, é motivo de ação penal contra o comandante do 5º BPM. ‘‘A Polícia Militar não pode fazer guarda externa por questões legais, mas a população pode aguentar as fugas por questões sociais’’, ironiza.
O comandante do 5º BPM rebate as críticas afirmando que a Polícia Militar nunca se negou a ajudar na segurança. Ele diz que hoje de manhã estará pessoalmente na escola para decidir com a diretora qual o melhor tipo de policiamento. ‘‘Os alunos podem voltar a estudar amanhã (hoje) cedo porque lá estarão os policiais militares para garantir as aulas.’’
O comandante Burille afirma que a guarda externa não é atribuição da PM e que, se colocasse viaturas em cada distrito, o policiamente preventivo seria prejudicado. Ele alega ainda que policiais militares já passam as noites e os finais de semanas nos distritos, ajudando na segurança.
Na opinião de Roberto do Valle, a solução para acabar com as constantes fugas e rebeliões é a construção da Cadeia Pública, que deve ser erguida em um terreno no distrito de Maravilha (zona sul). ‘‘A Cadeia vai demorar no mínimo dois anos para sair’’, comenta. ‘‘As fugas existem e vão continuar.’’ Tanto Irineu Vieira quanto Leonyl Ribeiro concordam com o juiz. O delegado-chefe diz: ‘‘Temos que batalhar para que a cadeia saia o mais rápido possível’’.

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