Escola vizinha do 3º DP faz protesto
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Lucília Okamura Londrina 
As aulas na escola estadual Kazuko Ohara, no jardim Bandeirantes (zona oeste), recomeçam hoje, com a promessa do comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille, de reforço no policiamento local. As aulas estavam suspensas desde a quinta-feira da semana passada, quando ocorreu uma fuga no 3º Distrito Policial, que fica ao lado da escola. Professores e alunos estavam dispostos a não voltar às atividades enquanto o problema não fosse solucionado.
A decisão do comandante do 5º BPM foi anunciada ontem à tarde, durante reunião com os moradores na Câmara de Vereadores, que teve a presença do juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Irineu Abílio Vieira, do engenheiro-chefe do escritório local da Secretaria de Obras, Marcelo Paulino.
A reunião foi realizada por iniciativa dos vereadores Adalberto Pereira (PFL) e Célio Guergoletto (PMDB). Cerca de 150 pessoas, entre moradores, estudantes e pais de alunos da escola compareceram à Câmara para pedir uma solução para a falta de segurança na região. Temos o direito de trabalhar e as crianças de estudar, afirma a diretora da escola, Enedméa Rodrigues.
A diretora reclama do jogo de empurra-empurra das autoridades e pediu que alguém tomasse providências. Quem de vocês colocaria um filho para estudar em uma escola que fica ao lado do 3º distrito? A princípio, os moradores queriam a interdição do distrito, mas o próprio presidente da Associação dos Moradores do Jardim Bandeirantes, Ivo de Bassi, admite que não adianta tirar os presos do 3º DP se não há para onde levá-los.
O juiz Roberto do Valle diz que legalmente é impossível interditar o 3º DP. De certo modo, eles (moradores) têm razão porque o medo impera na Cidade mas, infelizmente, eles têm que ter paciência. O juiz acha que a reforma no 5º Distrito Policial (zona norte) deve ser concluída em 20 dias. Assim, os presos do 3º DP poderão ser recambiados para o 5º DP para que a reforma no jardim Bandeirantes possa começar.
Após a reforma, o 5º DP terá uma segurança de 90%, segundo o juiz. O delegado-chefe da 10ª SDP também acredita que o problema poderá ser minimizado com a reforma nos distritos. Ultimamente há problemas no 3º DP porque estamos improvisando consertos, empurrando com a barriga. Leonyl Ribeiro se refere a uma rebelião, ocorrida em maio, quando os presos quebraram parcialmente a delegacia.
Falando sobre reforço policial nos distritos, o juiz lembra que há alguns meses requereu à Polícia Militar que fizesse a guarda externa, mas isso foi recusado. Este fato, segundo ele, é motivo de ação penal contra o comandante do 5º BPM. A Polícia Militar não pode fazer guarda externa por questões legais, mas a população pode aguentar as fugas por questões sociais, ironiza.
O comandante do 5º BPM rebate as críticas afirmando que a Polícia Militar nunca se negou a ajudar na segurança. Ele diz que hoje de manhã estará pessoalmente na escola para decidir com a diretora qual o melhor tipo de policiamento. Os alunos podem voltar a estudar amanhã (hoje) cedo porque lá estarão os policiais militares para garantir as aulas.
O comandante Burille afirma que a guarda externa não é atribuição da PM e que, se colocasse viaturas em cada distrito, o policiamente preventivo seria prejudicado. Ele alega ainda que policiais militares já passam as noites e os finais de semanas nos distritos, ajudando na segurança.
Na opinião de Roberto do Valle, a solução para acabar com as constantes fugas e rebeliões é a construção da Cadeia Pública, que deve ser erguida em um terreno no distrito de Maravilha (zona sul). A Cadeia vai demorar no mínimo dois anos para sair, comenta. As fugas existem e vão continuar. Tanto Irineu Vieira quanto Leonyl Ribeiro concordam com o juiz. O delegado-chefe diz: Temos que batalhar para que a cadeia saia o mais rápido possível.


