Escola usa salão de igreja para aulas
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Sid Sauer 
Simone GirotoImprovisoParte dos alunos da Escola Estadual Urupês, de Campo Mourão, assistem aula no salão paroquialCerca de 120 alunos da 4ª série da Escola Estadual Urupês estão tendo que estudar no salão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Urupês, um bairro próximo ao centro de Campo Mourão. As salas improvisadas foram criadas depois da Semana Nacional de Matrícula proposta pelo Ministério da Educação. Já tínhamos uma lista de espera grande e depois dessa campanha não houve outra saída, explica o diretor Joseval Basílio Pelisser.
A escola, que hoje conta com 680 alunos, tem apenas seis salas de aula e nunca foi ampliada, apesar de já estar comemorando 30 anos. Espaço para ampliações existe. Também existe um projeto aprovado pela Fundepar, mas os recursos nunca foram liberados. Com o programa Toda criança na escola, as esperanças do estabelecimento cresceram, uma vez que o governo federal prometeu a ampliação de escolas sem a contrapartida dos municípios.
Pelisser não esconde, porém, que levou sorte. O salão usado como salas de aula fica a cerca de 350 metros da escola e já conta com repartições, quadros-negros e até carteiras. O local é normalmente usado para aulas de catequese. Tudo isso, porém, não evitou transtornos para a escola. Os alunos, por exemplo, reclamam das carteiras, que são do estilo universitário (carteira acoplada à cadeira). Estamos tentando trocar essas carteiras aos poucos, informa o diretor.
Simone GirotoAtividadeProfessora, em sala fora da escola, ensina escolares a jogar xadrez
Para a direção, no entanto, o problema vai bem além das carteiras. Funcionários do setor administrativo estão se revezando todos os dias na extensão da escola. Um professor auxiliar de regência também teve que ficar de plantão no local e uma merendeira teve que ser transferida para o salão da igreja. Por sorte, o local conta com uma cozinha bem equipada. Administrativamente, é como se estivéssemos com uma nova escola, diz Pelisser.
Água e luz O diretor frisa também que a princípio houve reclamação dos pais, que não queriam os filhos fora da sede da escola. Mas eles acabaram entendendo e chegamos ao consenso de tirar da sede as crianças maiores, que são as da quarta série, explica. Agora, Pelisser corre atrás de recursos para construção de pelo menos duas novas salas. Elas serão suficientes desde que as quatro turmas sejam divididas em dois turnos - manhã e tarde.
Enquanto o problema não é resolvido, o estabelecimento paga R$ 200,00 por mês de aluguel à igreja. Além das quatro salas de aula e da cozinha, a escola usa um outro cômodo como administração e sala de vídeo. Em Campo Mourão, no total, a Semana Nacional de Matrículas atraiu 408 crianças que estavam fora da escola.


