‘‘Colabore com a educação e o ensino. Anuncie Aqui’’. A frase pintada no muro da Escola Estadual Nossa Senhora de Lourdes, na Avenida São João (zona leste), uma das mais movimentadas de Londrina, evidencia a crise do sistema público de ensino no Estado. Sem dinheiro para fechar o mês com as contas em dia, a escola resolveu comercializar espaços publicitários no muro externo. Foi uma opção para tentar suavizar as dificuldades financeiras.
‘‘A escola está sucateada. Temos 2 mil alunos e precisamos de estrutura física. E 98 foi um ano muito difícil’’, afirmou a diretora, Denise Esperidião. Segundo ela, a idéia da venda de espaço publicitário no muro foi de um professor da própria escola, que se prontificou a dar assessoria ao projeto em troca de comissão. Todo o contrato será feito através da Associação de Pais e Mestres (APM).
Se der certo, Denise espera que a escola possa acrescentar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil na receita mensal. Será um dinheiro bem-vindo. Ela estima as despesas mensais do colégio em R$ 4 mil, mas consegue arrecadar menos que R$ 2 mil. Isso com o dinheiro do crédito rotativo - verba do MEC repassada pelo Estado, de R$ 1,3 mil -, percentual na cantina e promoções. ‘‘Só fazendo milagre’’, comentou.
A diretora observou que as despesas da escola são gerais e incluem desde material de escritório até remédios. Mas os problemas vão além: faltam salas ambiente, salas multiuso, novos laboratórios, cobertura de quadra etc. Faltam também recursos humanos. A escola dispõe de 100 horas/aula semanais para supervisão e orientação vocacional ,mas não consegue contratar. ‘‘Seriam cinco profissionais com 20 horas cada. Isso (a falta) acaba sobrecarregando a direção.’
Há pouco tempo, a situação era ainda pior. Com muito custo, e dinheiro do Programa de Ensino Médio (Proem), do governo do Estado, o colégio conseguiu no ano passado uma reforma em parte da estrutura física e pintura. A merenda também recebeu um reforço, quando passou a ser de responsabilidade do Município. Hoje, a alimentação tem boa qualidade. E de agosto do ano passado a fevereiro deste ano, a verba do fundo rotativo não chegou ao colégio. Só foi normalizada em março.
A diretora comentou que somente a permissão para venda de espaço publicitário e as promoções - como venda de pizzas - não são suficientes para melhorar a situação do colégio. Ela também ressente da falta de um apoio mais constante da comunidade. ‘‘Ajudaria muito se a comunidade viesse para dentro da escola e conhecesse as nossas dificuldades. Faz cinco anos, por exemplo, que a gente não tem aumento salarial’’, disse. Segundo ela, as críticas são muito mais frequentes do que o interesse em tentar ajudar a direção.

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