Campo Mourão - Uma garagem está sendo usada como sala de aula no Centro de Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) de Campo Mourão. Para poder abrigar os alunos, a garagem foi cercada por placas de alumínio e ganhou uma cobertura de lona. À noite, 45 pessoas estudam na sala improvisada, que não tem ventilação, possui iluminação inadequada e piso inclinado.
‘‘O calor é insuportável, mas não temos outro espaço’’, admitiu o diretor do Ceebja, Jacir Ferreira da Conceição. A sala-garagem é apenas um dos problemas gerados na instituição depois que os alunos foram obrigados a cumprir uma carga horária mínima para fazer as provas. Até o mês passado, os estudantes do Ceebja só precisavam ir ao local para tirar dúvidas e as salas tinham pouca utilização.
O Centro de Educação tem 2,5 mil alunos matriculados e funciona em nove apartamentos residenciais no centro de Campo Mourão. As salas de aula, montadas nos cômodos desses apartamentos, estão superlotadas. Tudo é improvisado. Para chegar a uma sala, é preciso passar por dentro de outra. Para que todos possam estudar, a direção está fazendo um rodízio entre as turmas, o que atrasará a conclusão da carga horária.
‘‘Estamos sendo forçados a dispensar alunos’’, revelou Ferreira. Para piorar, o Ceebja teve que retirar 250 alunos que estavam estudando em salas do Colégio Estadual Marechal Rondon. ‘‘Ficou ruim. As salas são muito apertadas’’, reclama Róbson Nunes, 17, que cursa o ensino médio no Ceebja. ‘‘A estrutura não comporta tanta gente. Tinha que arrumar um colégio maior’’, emenda Marcos Romagnoli Júnior.
A chefe do Núcleo Regional de Ensino, Maria de Lourdes Maia Polizer, disse ontem que a modalidade de ensino do Ceebja não permite a utilização de salas de outras escolas. ‘‘Isso caracterizaria extensão, o que não é permitido’’, explicou. Segundo ela, há duas saídas: criar postos avançados do Ceebja (PACs) em colégios que têm salas ociosas ou limitar a matrícula à estrutura da escola. ‘‘Isso cabe à direção da instituição’’, frisou.

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