Escola tira menores de situações de risco
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sábado, 03 de março de 2001
Célia Guerra De Londrina 
A escola é minha vida, sem ela eu estaria passado fome, afirma M.C.S., 15 anos, aluno da Escola Oficina, mantida pela Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon). Apesar da pouca idade ele tem um vasto currículo de experiências tristes como o uso de drogas e a desestrutura familiar provocada pelo alcoolismo. Atualmente mora na casa de um parente do irmão por não conseguir conviver com a madrasta. A mãe é alcoólatra e mora em Ourinhos (SP).
M.C.S. está na escola há três anos, trazido pelo pai, responsável também pela sua presença nas ruas desde os 5 anos. Ele conta que o irmão mais velho o carregava para auxiliar nos pedidos de esmolas com as quais sustentavam a casa e que o levou a experimentar as drogas. Meu irmão apanhava se não trouxesse o que nosso pai determinava, comenta. Na escola além do ensino fundamental, ele está frequentando a oficina de cozinha industrial para ter uma profissão e um emprego. Sua grande ambição é tirar a mãe da situação de extrema miséria em que vive. Aqui é o caminho do bem. A rua nunca mais, conclui.
Se não estivesse aqui estaria presa ou morta, conclui a adolescente J.P.F., 17 anos, que há cinco anos está na Escola Oficina. A adolescente conta que influenciada pelos amigos matava aulas para ficar nas ruas, onde praticava pequenos furtos. Boa parte destes companheiros já estão mortos, assassinados por integrantes do próprio grupo. Ela e a irmã de 15 anos foram trazidas pela mãe, que dependia da escola para cuidar das meninas e poder trabalhar.
J.P.F. conta que o pai tentou molestá-la por duas vezes, mas conseguiu evitar a agressão. É pecado, mas eu bati nele, se defende. Ela garante que nunca usou drogas mas seu futuro não teria muitas perspectivas se não fosse o aprendizado na escola oficina. J.P.F. tem experiência com costura e cozinha e aguarda ansiosa uma colocação no mercado de trabalho já que completa 18 anos no mês de maio, e precisa deixar a escola.
Uma vaga no mercado de trabalho foi o grande prêmio do adolescente M.D.S., 17 anos, nos quase quatro anos que frequentou a entidade. Com a experiência adquirida ele foi contratado como office-boy, há sete meses, pela Escola Municipal de Teatro e Fundação Cultural e Artística de Londrina (Funcart). Com o salário ajuda nas despesas de casa e cobre seus gastos pessoais. Ele também vivia entre a rua e a casa da mãe e foi levado para a instituição pelo diretor de outra escola que frequentava e havia sido expulso por se envolver em brigas com os colegas. A escola teve um grande papel na minha vida. Ela é hoje o meu espelho. Ele foi um dos menores de rua de Londrina que participou do Movimento Nacional dos Meninos de Rua, realizado em Brasília no ano de 1998.
A escola oficina atende hoje a 185 crianças em situação de risco encaminhadas por setores que trabalham com a criança e o adolescente na cidade. As despesas mensais da escola são de aproximadamente R$ 43 mil. Os serviços prestados pelas oficinas da escola conseguem cobrir 35% das despesas, a prefeitura repassa outra parcela de recursos, mas o déficit é de R$ 11 mil. O atendimento por período integral está garantido somente até o dia 19. A continuidade depende de verbas que cubram esse déficit, caso contrário o horário de funcionamento precisará ser reduzido.
A escola está desenvolvendo também a campanha Abrace Acalon, em busca de pessoas que se comprometam com a doação mensal de R$ 10,00. Pessoas credenciadas pela Acalon, passariam nas casas recebendo as contribuições. Os interessados em aderir à campanha devem ligar para (43) 330-3861.


