Escola se recupera de vandalismo
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sábado, 29 de novembro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A noite do dia 2 de abril não será esquecida facilmente pelos alunos e professores do Colégio Estadual Lauro Gomes da Veiga Pessoa, na Zona Norte de Londrina. Em verdadeiro clima de guerra, aquele dia de aula foi marcado pela escuridão que tomou conta das instalações depois que alguém desligou a energia elétrica. Em poucos minutos uma onda de vandalismo se espalhou pelas salas, resultando em diversos vidros quebrados, carteiras e cadeiras derrubadas ou presas às janelas. Apesar do grande tumulto, ninguém ficou ferido, mas a sensação de medo e insatisfação permaneceu por bastante tempo entre a comunidade, que hoje, depois de várias ações promovidas pela direção da escola, se sente mais segura.
A pedagoga Kelli Cristina da Silva explicou que pelo menos três grandes atividades envolvendo todos os alunos foram promovidas depois do episódio. ''Realizamos trabalhos em grupos, conversamos com os alunos e envolvemos também os pais. Ainda exibimos filmes e tivemos a oportunidade de escutar os alunos e assim ter mais acesso a suas realidades. Percebemos que eles se sentiam muito desmotivados com o estudo e então procuramos estimulá-los. Até encaminhamento para estágios começamos a fazer'', disse.
No final da tarde da última quinta-feira uma palestra com a psicóloga Eliane Beloni foi promovida para os pais. Com o tema ''Educação de filhos nos dias atuais'', o objetivo foi justamente reforçar junto à comunidade uma nova perspectiva de educação. ''Ainda existe uma confusão muito grande entre o saber educar e punir. Certas formas de punição contribuem negativamente para o desenvolvimento da criança ou do jovem. Além disso, a desestrutura familiar tem sido a raiz de todo o problema de falta de disciplina ou de comportamentos inadequados'', explicou. Durante a palestra, os pais puderam fazer questionamentos à psicóloga.
A mãe de uma aluna da 6 série, Lindalva Ferreira Nascimento, disse que tem sentido mudanças positivas no dia-a-dia da filha na escola. ''Ela sempre foi estudiosa mas se sentia assustada e com medo porque já presenciou várias brigas entre alunos no pátio. Hoje em dia ela se sente bem mais tranquila e até comenta que o clima está melhor'', revelou a dona de casa.
Pelo menos 11 adolescentes foram apontados pela polícia por terem participado da ação. Destes, um não era aluno da escola. Apenas três continuam estudando no colégio e os demais desistiram do estudo ou mudaram de escola. ''Sentimos que apesar de tudo a maioria dos alunos ficou bastante incomodada com o que aconteceu e até mesmo envergonhada. Depois das ações temos sentido que se envolvem mais e estão dispostos a encarar o estudo com mais seriedade'', comentou a pedagoga.
Apesar das melhoras, algumas medidas foram tomadas pela direção como forma de prevenção. A caixa de instalação da rede elétrica foi fechada com porta de ferro e ganhou dois grandes cadeados. O portão que fica próximo a essa caixa também foi reforçado e luzes de emergência foram instaladas em todas as salas de aula e corredores. ''Agora, mesmo que alguém desligue a rede, o interior das salas e corredores ficarão claros'', comentou um dos diretores, que prefere não revelar o nome. Segundo ele, agora só falta a colocação dos vidros, que aguardam em uma sala e devem ser afixados durante as férias.


