Quem passou em frente à Escola Aliança, no Jardim Jamaica (Zona Oeste), no final da sexta-feira, ganhou uma receita de felicidade e uma boa oportunidade de refletir sobre coisas corriqueiras, mas essenciais. Com um sorrisão no rosto, as crianças abordaram motoristas, pais e pedestres com uma manifestação pra lá de animada em nome do respeito consigo mesmo e com os outros, com os animais e com o meio ambiente.
O ''Projeto Respeito'', segundo a diretora da escola, Josiane Thomaz, nasceu de uma reportagem, publicada na Folha em abril deste ano, sobre a carência de gentilezas entre as pessoas. A partir de então, os professores foram estimulados a trabalhar o tema de maneira interdisciplinar e deu no que deu: crianças mais conscientes, felizes e levando alegria para os outros. ''Realmente sentíamos essa necessidade no dia a dia e, depois da matéria, combinamos com as crianças que iríamos ser diferentes. Agora, crianças que nem sabem falar direito, já exercitam palavrinhas mágicas como por favor, obrigado'', comentou a diretora.
Fantasiados com sinais de trânsito, bichos diversos e frases, os 130 alunos do maternal à 3 série do ensino fundamental esbanjaram cidadania e demonstraram que felicidade e respeito se conquistam com simplicidade. ''Respeitar e amar o meio ambiente é sempre bom porque ajuda a preservar nossas matas. Se a gente tiver uma direção é fácil praticar o respeito'', ensinou Renato Silva de Souza, 9 anos. Seu colega da 3 série, Lucas Gabriel Cândido, 9, disse que ''a escola ficou muito mais legal'' depois das lições que aprenderam. ''Hoje, muitas pessoas não tem respeito com os outros e isso não é nada bom'', alertou ele. Kodi Rafael Turuda, 9, acredita que isso acontece porque esses adultos não tiveram a mesma oportunidade que ele de aprender a fazer a diferença. ''Na época deles, acho que não aprendiam como agora'', ponderou. Vestido de girafinha, Andrey Cunha Vanjura, 8, disse que outra coisa que faz as pessoas esquecerem de ser gentis, principalmente no trânsito, é a pressa. ''Tem gente que está com muita pressa ou alcoolizada e nem respeita o sinal vermelho, faixa de pedestre e as leis de trânsito'', apontou o garoto.
As lições ensinadas na escola invadiram também as famílias e a rotina em casa. Mateus de Morais Ohya e Lima, 8, aprendeu que, assim como as pessoas, animais domésticos precisam de atenção e carinho. ''Todo dia tem que trocar a água, dar comida, banho, sair para passear com eles'', recordou. O pai, José Aparecido da Silva, 38, destacou que o filho, Guilherme Augusto Ferreira da Silva, 7, mudou muito seu comportamento nas últimas semanas. ''Ele já demonstra preocupação sobre respeitar as pessoas e tem maior atenção com as coisas'', apontou. Ele considerou importantíssimo o projeto desenvolvido pela escola porque ''são coisas aparentemente simples, mas que podem refletir no futuro''.

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