Escola regular integra deficientes
Especial para a Folha
Estudantes com deficiências físicas e neurológicas frequentando salas de aulas regulares. Uma proposta que há três anos era utopia e que agora torna-se realidade. Só no Paraná, de dois anos para cá, 3 mil alunos da rede pública de ensino sairam das classes especiais para se integrarem em turmas normais.
A Lei de Diretrizes de Base para a Educação (LDB), de dezembro de 1996, definiu que os estudantes com necessidades educacionais especiais devem, preferencialmente, ser incluídos no ensino regular. Apesar de gerar polêmica com especialistas que não acreditam na integração total, a lei fez crescer a inclusão desses estudantes. A nova prática está incentivando as escolas a se adaptarem à idéia de que os alunos com deficiências têm as mesmas condições de aprendizado do que um aluno considerado normal.
É o caso da Escola Estadual São Judas Tadeu, de Curitiba. Até 1997 todos alunos com algum tipo de deficiência estudavam na turma especial. Em 1998, depois de uma avaliação feita pelos professores da escola, quatro estudantes com deficiências leves passaram a frequentar as turmas regulares. Para as crianças portadoras de deficiência é um avanço. Elas se sentem progredindo e percebemos este avanço no ensino, comenta Antônia Dirce Portella, professora responsável pelo acompanhamento dos estudantes especiais. São crianças e adolescentes com dificuldades auditivas e pequenas deficiências neurológicas.
Assim como na São Judas Tadeu, 200 escolas da rede pública do Estado instalaram uma sala recurso, local preparado para auxiliar e orientar os estudantes com deficiências no contraturno das aulas. Os professores que atuam no ensino especial acompanham o desenvolvimento desses estudantes nas turmas e ajudam nas suas dificuldades durante as aulas e fora delas, na sala recurso, explica Ivanilde Tibola, chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação.
Nas salas de aula os alunos recebem as informações normalmente, contando com a atenção maior dos professores. No horário complementar, os portadores de deficiências neurológicas, são orientados para melhorar o processo de memorização e organizar o pensamento. Os estudantes com deficiência visual recebem livros traduzidos em linguagem Braille, escutam a explicação da matéria e respondem exercícios e provas em Braille. As pessoas com problemas de surdez entendem a matéria por leitura labial e se comunicam pela linguagem de sinais e na sala recurso repassam os ensinamentos. A inserção ajuda a integrar o aluno deficiente com a sociedade e aumenta o sentimento de solidariedade entre os outros estudantes e professores, afirma Ivanilde.
Essa integração preocupa alguns especialistas que acreditam que a mudança é necessária, mas deve ser bem preparada. O aluno precisa ser bem recebido e não ser visto como um coitadinho, pondera Anelise Mota, professora da Escola Especial São Francisco de Assis, em Curitiba. Para ela, a inclusão tem que ser feita de forma gradativa e os professores e colegas precisam estar conscientes que o aluno deficiente é diferente e que esta diferença deve ser respeitada. A inclusão não significa tornar normal um estudante excepcional, mas que aele sejam oferecidas condições de vida idênticas às que outras pessoas recebem, afirma Anelise.





