Escola pública tem cardápio balanceado: alunos aprovam
A hora do lanche na Escola Estadual Carlos Dietz é uma festa. É proibido trazer lanche de casa, mas ninguém se importa. Na escola tem cachorro-quente, salada de fruta, arroz doce, tutu de feijão com arroz, macarrão, sopa de legumes, canja de galinha, etc. Todo dia o cardápio - um cartaz fixado no pátio interno da escola - traz um prato diferente. Os 386 alunos de 1ª a 4ª série da escola fazem fila para garantir o seu prato e a maioria repete.
Há três anos a escola conta com o projeto de extensão do curso de nutrição do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon). As formandas do curso atuam na capacitação dos profissionais (merendeiras e auxiliares de cozinha), dão cursos para os professores e trabalham diretamente com as crianças. A cozinheira aprendeu a combinar os alimentos de forma nutritiva. As professoras incluíram noções de nutrição nas disciplinas e os alunos participam de atividades educativas e recebem atenção individualizada.
A fada vitamina, o ferro super-herói e outros personagens são usados pelas estagiárias para explicar o valor nutritivo dos alimentos servidos. O cardápio é organizado obedecendo ao paladar das crianças. Um prato que não tem a aprovação das crianças não volta a ser servido, garante a estudante do 4º ano de Nutrição do Cesulon, Regiane Cosmo.
Uma caixinha permanente recebe as sugestões dos alunos que também fazem pedidos verbalmente para as estagiárias, que elaboram o cardápio. O cachorro-quente com molho de tomate e cebola e a salada de fruta são unanimidade entre as crianças. Mas o estrogonofe é uma maravilha, diz Alessandra Akemi Yokota, 10 anos. Ricardo Mendes, de 10 anos, prefere a sopa de legumes. É uma delícia comer a merenda na escola, afirmam Ana Emilia Manganaro e Aline Dias Rosa.
Três vezes por semana a merenda traz pratos salgados e duas vezes é servida merenda doce. É para as crianças variarem. Mas os pratos salgados sempre fazem mais sucesso, conta Regiane Cosmo. A merenda acaba sendo um almoço, mas a nutricionista e coordenadora do curso, Gersislei Salado, explica que a merenda reforçada é uma necessidade. As crianças gastam muita energia estudando e correndo. A alimentação é balanceada, não prejudica o almoço.
A prova está no acompanhamento do desenvolvimento das crianças onde as fichas apontam que a maioria dos que apresentavam sobrepeso e obesidade está atingindo o peso normal. A cada dois meses as crianças passam por uma avaliação: peso, altura e idade são anotados em uma ficha individual. Eventuais problemas detectados durante o exame são levados aos pais que recebem orientação.
O diretor da escola, Rubens Pavanello, afirma que, desde a implantação do projeto, o desenvolvimento físico, o aproveitamento escolar e até o comportamento dos alunos melhorou sensivelmente. Ele administra a escola há 11 anos e conta que, antes do projeto do Cesulon, já havia proibido as crianças de trazerem lanche. Eles traziam muita coisa industrializada, não era saudável. Sempre achei que uma boa merenda é melhor, defende.
O diretor conta que o maior obstáculo não foi convencer os alunos, mas sim os pais. Alguns pais achavam que os filhos iam passar fome. Hoje eles vêm até a escola elogiar o trabalho dizendo que as crianças mudaram seus hábitos alimentares e estão se desenvolvendo melhor, diz. O projeto do curso de Nutrição do Cesulon atende outras quatro escolas e quatro creches, num total de 2.300 crianças.





