A urbanização da represa do Ribeirão Cambezinho, atrás do Parque de Exposições Ney Braga (Zona Oeste), está sendo mais uma vez sugerida pela diretora da Escola Estadual São Francisco, Maria Ivone de Morais Borges. A proposta foi retomada ontem, durante uma palestra proferida por integrantes da equipe de auto busca e salvamento (ABS) do Corpo de Bombeiros para os estudantes da escola, que costumam frequentar o ribeirão para nadar e brincar.
De acordo com informações do cabo Osmar Lopes Pinheiro, da equipe de ABS, pelo menos uma morte por afogamento ao ano é registrada na represa do Ribeirão Cambezinho. A facilidade de acesso ao local é criticada pela diretora da escola, que conta que grande parte dos 290 alunos costuma visitar a represa. ''Durante a minha outra gestão, há dois anos, eu havia procurado a secretaria de Meio Ambiente para sugerir a urbanização da área. Eles ficaram de procurar os responsáveis, mas não me retornaram.''
No período, a escola perdeu um de seus alunos, justamente por afogamento no Ribeirão. Bruno dos Santos, então com 14 anos, morreu quando brincava com mais três amigos na represa, no início de 2003. Este ano o Corpo de Bombeiros já registrou mais um óbito: Euzébio Cleberson Pedroso de Almeida, 18 anos, morreu afogado enquanto pescava no ribeirão, em março.
Árvores frutíferas existentes no local funcionam como chamariz para as crianças e por isso Maria cobra, em caráter emergencial, a presença de seguranças 24 horas na área da represa. ''Somente uma cerca simples não fecha o local.''
A região fica sob a responsabilidade de três diferentes entidades. A margem londrinense da represa é de propriedade da Sociedade Rural do Paraná (SRP). O presidente da entidade, Edson Neme Ruiz, mostrou disposição para ajudar a aumentar a segurança do local. ''O acesso à represa pelo parque é impossível porque a área é cercada por alambrados. Mas estamos dispostos a conversar com as secretarias responsáveis para ver o que pode ser feito'', afirma Neme.
A margem fora do parque de exposições fica no perímetro urbano de Cambé, por onde, teoricamente, o acesso é mais fácil, segundo Neme. A engenheira agrônoma Marli Simões, da secretaria de Obras de Cambé, não foi localizada para falar sobre o assunto. O secretário de Meio Ambiente de Londrina, Dirceu Fumagalli, destaca que, como a área fica em uma propriedade particular, projetos de urbanização seriam de responsabilidade da SRP. ''Mas se é um projeto sócio-ambiental e que envolve a segurança de crianças, podemos perfeitamente discutir a proposta com a SRP'', diz.

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