Em outubro, 310 alunos da Escola Municipal Eurides Cunha, localizado no jardim Sabará (zona oeste de Londrina) se uniram a familiares, professores e funcionários para participar da campanha Lenço Solidário, organizado pela secretaria municipal de Recursos Humanos. Os acessórios foram doados às pacientes do Hospital do Câncer. A professora e secretária da escola, Jane Pucci, disse que a unidade escolar angariou 104 dos 270 lenços arrecadados por toda a campanha.

"Nossa escola é uma equipe. Todos os anos a gente faz comemoração do Outubro Rosa. As crianças vieram de rosa, a bibliotecária trouxe um livro que conta a história do lenço e os professores trabalharam essa questão da solidariedade em sala de aula. A escola integra também o programa Jepp (Jovens Empreendedores Primeiros Passos) e os professores trabalharam com as crianças a confecção de cartões de incentivo para as pacientes", relatou.

No dia da entrega, dois alunos foram escolhidos para acompanhar o momento da doação. "Eu me sinto feliz em participar disso. Fomos com as crianças, com a presidente da Associação de Pais e Mestres até o Hospital do Câncer. Essas duas crianças que foram lá viram a importância da campanha e depois repercutiram o que viram com os outros alunos", destacou Pucci. Além dos lenços, os estudantes entregaram os lacres de latas de alumínio que foram arrecadados durante o ano - e que serão usados para compra de cadeiras de rodas.

"O lenço é um presente simples, mas pode elevar a autoestima das mulheres que, em muitos casos, fica bastante fragilizada devido às cirurgias e aos efeitos colaterais dos medicamentos e do tratamento. Sem contar nas cartinhas que são um gesto de amor de uma criança que elas nem conhecem, isso não tem preço", expôs a diretora de Saúde Ocupacional da secretaria, Liz Dayane Rodrigues.

A coordenadora de captação de recursos, voluntariado e eventos do Hospital do Câncer de Londrina, Iracema Fabian, explicou que iniciativas como essa fazem com que os pacientes se sintam tocados, acolhidos e lembrados. "Isso é muito importante para receber melhor o tratamento e conseguir a cura. É importante lembrar que antigamente falar de câncer era um tabu, uma sentença de morte. Hoje a maior parte dos casos tem cura, desde que sejam diagnosticados no começo, um índice de 80 a 90% de que isso ocorra. Por isso a importância do diagnóstico precoce da doença", apontou. Ela reforçou a necessidade da prática de bons hábitos como a prática da atividade física e alimentação saudável.

A doméstica Irene Budny Machado, 62, de Ivaiporã (Vale do Ivaí), realiza o tratamento contra o câncer de pulmão no HCL e foi uma das que recebeu o lenço. "Me senti muito feliz. Me senti muito acolhida também na Casa de Apoio, resumiu. Segundo ela, a queda de cabelos afetou bastante a sua autoestima. "Fiquei com vergonha de sair no meio do povo. Parece que as pessoas ficam reparando na gente", observou, dizendo que o lenço ajudou muito. "Me sinto mais bonita." (V.O.)

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