Mauricio Della Barba
De Londrina
Depois de 13 dias fechada, por falta de dinheiro, a Escola Oficina, localizada na zona norte de Londrina deve voltar a funcionar amanhã. O prefeito Antonio Belinati (PFL) decidiu aceitar a proposta da Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família (Secri) e vai pagar a metade do valor necessário para manutenção da escola até o final do ano. A despesa é de aproximadamente R$ 65 mil.
O acordo foi firmado durante reunião realizada ontem entre o prefeito Belinati, a secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento e a presidente da Associação da Criança e Adolescente de Londrina (Acalon), mantenedora da escola, Leozita Baggio Vieira. ‘‘Para este ano parece que as coisas foram resolvidas. Porém, para o ano que vem, a situação ainda está nebulosa’’, disse Leozita Vieira.
Pelo acordo, a Prefeitura garantiu além dos repasses de R$ 14.376,00 (referentes ao Contrato de Gestão com o órgão nos meses de novembro e dezembro) e do crédito adicional de R$ 12 mil (pedido pelo prefeito e aprovado pela Câmara de Vereadores na última semana), um incremento de R$ 6.124,00 disponibilizado através do caixa da Prefeitura, o que totaliza R$ 32.500,00, a metade dos R$ 65 mil necessários.
‘‘Assumimos a responsabilidade de repassar toda a verba até o dia 19 de dezembro, data máxima para que a Escola cumpra seus deveres de folha de pagamento e do 13º salário’’, disse a secretária Marisa Goettel.
O governo do Estado, apesar de ter garantido através de um comunicado oficial do Secri o repasse da outra metade da verba necessária para o funcionamento da Escola Oficina, até ontem ainda não havia assinalado uma data máxima para a efetivação da remessa.
A presidente da Acalon alertou que a solução é parcial e que o problema deve ser discutido novamente no ano que vem. ‘‘Mesmo com os repasses garantidos da Prefeitura, do Estado e da nossa receita, vamos ter uma defasagem de cerca de R$ 8 mil ao mês já a partir de janeiro’’, disse.
O dinheiro mensal garantido pela Prefeitura para o próximo ano é de R$ 7.188,00, enquanto que o do Estado é de R$ 5 mil. Segundo Leozita Vieira, a entidade viabiliza com recursos próprios, cerca de R$ 17 mil mensais. O gasto total da Escola Oficina é de R$ 37 mil ao mês.
‘‘Estamos estudando outras opções para diminuir esta defasagem, como um envio maior de merenda e de outros materiais utilizados no dia-a-dia da Escola. Vamos sentar e analisar se isto é viável para garantir o funcionamento’’, explicou Leozita Vieira. A Acalon já calculou em R$ 460 mil o orçamento para o ano 2000.
Localizada no Conjunto João Paz, zona norte, a escola atende 138 crianças em situação de risco social, muitos com passagens pelo Centro Integral de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). A escola conta com 30 funcionários.
Leozita Vieira destacou: ‘‘Não se pode comparar o trabalho desenvolvido por nós e por outras escolas oficinas do Estado. Temos uma particularidade no tipo de crianças que atendemos, de situação bem mais crítica, e na disposição de trabalho integral, sem férias e com voluntários que não recebem um centavo para trabalhar.’’
Segundo a presidente da Acalon, somente nestes 13 dias em que a escola permaneceu fechada, muitas crianças voltaram para as ruas.‘‘Algumas crianças não possuem pais, muito menos uma casa. Passam o dia todo na Escola e dormem em abrigos e mocós. Sem a escola, elas ficam nos sinaleiros e nas ruas’’, revela.
As dificuldades financeiras da Escola Oficina surgiram depois que o governo do Estado suspendeu o repasse de R$ 91 mil destinados ao pagamento de funcionários. A chefe regional da Secri em Londrina, Nádia Oliveira de Moura, admitiu semana passada que o Estado não pretende renovar o convênio visando a auto-sustentação da escola.

mockup